2.7.08

e eu também já fui loiro, afinal de contas*

mas sinto-me mais ou menos como a rapariga loira numa mais-do-que-batida piada de loiras (passe a redundância, as piadas de loiras estão todas brutalmente batidas - como, aliás, praticamente todas as piadas sobre todos os estereótipos possíveis, creio). mas enfim, a piada (fraquinha, bem sei) fala de uma loira que, ao caminhar na rua, repara numa casca de banana caída no passeio - e compreende que, mantendo a casca de banana a sua imobilidade e a loira a sua trajectória, pisar a casca será mais ou menos inevitável. então a loira exclama para si "bolas! lá vou eu escorregar e cair!". pois é precisamente assim que me sinto - e não sou loiro*, como a rapariga da (péssima) anedota. mas há armadilhas em que caímos de forma consciente, e cascas de banana que não evitamos pisar, mesmo sabendo que a queda subsequente irá deixar mazelas consideráveis.

*quem me conhece, com a minha desgrenhada (há quem diga que é "encaracolada" - puro wishful thinking) juba castanha-escura, provavelmente não me conseguirá imaginar em versão loira, mas é verdade: em pequenino, o meu cabelo era liso (com alguns arrufos, claro) e loiro. mesmo. depois passou para o dark side, e eu com ele - ou vice-versa. a amnésia infantil (definida por freud) arruinou a memória de tão singular transformação.

jc

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