16.7.08

por acaso, veio mesmo a calhar...

... este texto publicado por paulo ferreira no blogue câmara de comuns sobre a energia nuclear. digo que veio a calhar porque durante o fim de semana apanhei uma pequena notícia sobre um protesto ambientalista em paris, onde um grupinho decidiu enfeitar a torre eiffel com as estrelas do símbolo da união europeia e uma enorme bandeira com o emblema da radioactividade. ao que parece, o protesto era contra a aposta na energia nuclear.

eu gosto do ambientalista típico. a sério. a sua incoerência é capaz de me fazer sair de casa de manhã a rir. bem sei que estou a cair num estereótipo, e que o que não falta por aí são ambientalistas responsáveis, que desprezam acções "terroristas" ao bom estilo da greenpeace (que de pacíficas não têm nada) e que são capazes de defender ideias para o ambiente que realmente fazem sentido e que não excluem os seres humanos; infelizmente, esses pouco tempo de antena têm nos meios de comunicação mundiais. mas, dizia eu, gosto da incoerência do ambientalista típico. basicamente, protestam contra a utilização "abusiva" que as sociedades ocidentais fazem dos combustíveis fósseis (por acaso nem são só as sociedades ocidentais). paralelamente, apressam-se a excluir a energia nuclear da lista de alternativas energéticas - evocando o já estafado acontecimento de chernobyl a 26 de abril de 1986.

esquece-se, claro, de algumas coisas. como, por exemplo, de que a tecnologia actual não permite que as energias renováveis - como a solar, a eólica, a energia das marés, por exemplo - sejam economicamente viáveis, ou capazes de substituir completamente o petróleo e o carvão. também parecem mais ou menos desatentos à enorme barracada que, ao que parece, a história dos bio-combustíveis foi. e, quando evocam a tragédia de chernobyl, esquecem-se de uma quantidade enorme de detalhes. neste ponto, relembro um documentário a que assisti há tempos na televisão (cujo nome agora me escapa, assim como o canal em que foi transmitido; mas acho que foi no discovery), em que o grupo de cientistas de várias nacionalidades se deslocou às ruínas de chernobyl - uma área que ainda apresenta índices de radiação consideravelmente elevados. e um dos cientistas, creio que canadiano, a dada altura disse que um desastre daquelas proporções era praticamente impensável numa central nuclear moderna, com toda a tecnologia de segurança que já existe.

goste-se ou não, a verdade é que actualmente a energia nuclear é a única com capacidade para reduzir a dependência de muitos países face aos combustíveis fósseis. excluí-la à partida do debate e das opções possíveis baseando-se apenas num incidente que ocorreu há vinte e dois anos numa central nuclear que, de acordo com algumas teorias, tinha várias falhas de concepção e de segurança é, no mínimo, uma atitude ignorante e irresponsável.

... mas toda a gente já sabe que o ambientalista típico gostaria muito, mas mesmo muito, de nos mandar de volta para as cavernas.

jc

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