6.2.09

Eu tu e todos os que conhecemos

Desculpem a falta de regularidade com que tenho postado, no entanto constrangimentos profissionaisopessoais não me têm permito dedicar a devida atenção a Jardim.

Estamos todos de parabéns (mais uns que outros, particularmente o João e o Fábio) pelo nosso link do Delito de Opinião. É com felicidade que vejo que este espaço tem sido tudo aquilo que queria que fosse.

Na vida nem tudo é fácil. Nem tudo é agradável. Ou mesmo merece atenção. Muita da felicidade que tenho ou vou tendo em viver deve-se ao facto de existir uma coisa a que vamos chamando cinema. Na semana passada fui ver The curious case of Benjamin Button. É-me difícil encontrar méritos num filme que tem tanto de artístico como contraplacados de madeira. Nada daquilo tem que ver, por mínimo que seja, com arte. Pouco mais que enredo básico e displicente, técnica no lugar de talento, negócio no lugar de arte. Muito do fundamento dos objectos artísticos reside na transmissão de mensagens. Quanto menos directas, mais arte lá está. A este propósito lembro-me sempre de Me and You and Everyone we know ou mesmo The Darjeeling Limited. Sem esquecer qualquer filme do Lynch ou do Kusturica. Muito do que Picasso significa vem do facto de que quase nada lá está, mas no fundo está lá algo (ou tudo). Este está que não está faz do Hamlet do Shakespeare aquilo que ele é, ainda hoje. E por aí fora. Um filme que se limita a contar uma história sem que nada seja transmitido por debaixo da mesa é pouco mais que vento. No fundo é o mesmo que distingue o Manual dos Inquisidores do Equador.

jtf

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