3.4.09

a despedida perfeita*

a despedida perfeita nunca e falada. nunca se torna real porque não o pode ser. vivemos poucos momentos tão constrangedores como as despedidas - e não pensemos aqui em casos de morte, uma vez que não é possível despedirmo-nos de quem atravessa definitivamente as fronteiras deste mundo pequenino e fútil. mas quando alguém está de partida, a minutos de entrar no comboio que o levará para o outro lado do país, quiçá do mundo - o que é suposto dizermos? ou quando somos nós a partir, o que dizer àqueles que deixamos para trás quando nos aventuramos no desconhecido? a despedida perfeita é silenciosa, pois em tal momento nada deve ser dito. ou feito. um beijo, um abraço, um aperto de mão? não. um olhar, apenas, um último olhar para os olhos de todos. é mais do que suficiente. é o reconhecimento silencioso de que, independentemente da distância ou do tempo que passar, nada irá mudar, e que aqueles que partem irão sempre amar aqueles que ficam para trás. ou que aqueles que ficam para trás, no terminal, irão ser sempre um porto seguro para aqueles que partem, ao qual estes podem sempre regressar se forem traídos na sua demanda.

*adaptado daqui.

john

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