Lições da planície*
(...) Enfim, o que queria dizer é muito simples: ao acordar, o deprimido deve de imediato criar uma situação de vida. Idealmente, o deprimido acordaria convencido de que o prédio está em chamas ou que tem um tigre da Sibéria entre os lençóis, mas também serve um gole de gaspacho suficientemente acondimentado para o transportar até ao calor de um começo de tarde. O importante é evitar o leite, o café e os cereais. Tentem antes marisco, se não gostam de gaspacho.
E eis que, passados vinte e quatro anos sem abdicar do ritual de beber uma caneca de leite ao pequeno-almoço*, percebo por que afinal eu sou deprimido e, vai na volta, pessimista. A culpa é do leite. Obrigado, Ouriquense. Hoje já vou tarde, mas a partir de amanhã, trato-me a sapateira. Não gosto de gaspacho. Se calhar até dou um toque pessoal à mezinha e acrescento um gole de aguardente de medronho. Ou isto é já capaz de ser uma má ideia.
john
*título roubado ao Ouriquense, com todo o respeito e mais algum. Espero que não me leve a mal, mas em último caso irei a Ourique um dia destes para uma aguardentezinha. Ou convido o eremita da planície a tomar essa aguardente comigo na estação da Funcheira num domingo destes, quando estiver à espera do comboio para Lisboa.
**É verdade que mantenho o hábito de beber uma caneca de leite - por vezes com chocolate - de manhã. E à noite, antes de me deitar, se bem que tenho andado um tanto ou quanto desleixado com esta minha rotina nocturna. O hábito do leite ao acordar sobreviveu à minha saída da aldeia e vida em Lisboa, e acompanhou-me em todas as viagens que fiz, de Barcelona a Praga, de La Valetta à Lolland (Dinamarca). Sempre leite para o pequeno-almoço. A única excepção que de repente me ocorre foi naquela noite em Madrid que substituí o leite por duas coca-colas por ter passado a noite, não a dormir, mas a vomitar. E não foi por bebedeira, que essas eu curo... com leite. E Gurosan, quando tenho. Mas sem misturar, atenção. Sou doido, mas nem tanto.
E eis que, passados vinte e quatro anos sem abdicar do ritual de beber uma caneca de leite ao pequeno-almoço*, percebo por que afinal eu sou deprimido e, vai na volta, pessimista. A culpa é do leite. Obrigado, Ouriquense. Hoje já vou tarde, mas a partir de amanhã, trato-me a sapateira. Não gosto de gaspacho. Se calhar até dou um toque pessoal à mezinha e acrescento um gole de aguardente de medronho. Ou isto é já capaz de ser uma má ideia.
john
*título roubado ao Ouriquense, com todo o respeito e mais algum. Espero que não me leve a mal, mas em último caso irei a Ourique um dia destes para uma aguardentezinha. Ou convido o eremita da planície a tomar essa aguardente comigo na estação da Funcheira num domingo destes, quando estiver à espera do comboio para Lisboa.
**É verdade que mantenho o hábito de beber uma caneca de leite - por vezes com chocolate - de manhã. E à noite, antes de me deitar, se bem que tenho andado um tanto ou quanto desleixado com esta minha rotina nocturna. O hábito do leite ao acordar sobreviveu à minha saída da aldeia e vida em Lisboa, e acompanhou-me em todas as viagens que fiz, de Barcelona a Praga, de La Valetta à Lolland (Dinamarca). Sempre leite para o pequeno-almoço. A única excepção que de repente me ocorre foi naquela noite em Madrid que substituí o leite por duas coca-colas por ter passado a noite, não a dormir, mas a vomitar. E não foi por bebedeira, que essas eu curo... com leite. E Gurosan, quando tenho. Mas sem misturar, atenção. Sou doido, mas nem tanto.









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