Ainda há paciência para o Natal?
Eis-nos chegados à época do Natal. Quem acompanha este blogue há pelo menos um ano saberá certamente que o Natal não é de todo a época do ano de que mais gosto. Muito poderia ser dito a propósito disso. Não gosto, por exemplo, de ligar a televisão e ser massacrado - passe o eufemismo - por publicidade a brinquedos, coisa de que não gostava nem quando era criança (eu pedia sempre legos aos meus pais, e a publicidade da Lego não é a mais abundante nos meios de comunicação portugueses). É impressionante como os anúncios de brinquedos parecem competir entre si para ver qual tem a cantilena mais irritante. De resto, e quando não são os anúncios que nos massacram, são os filmes, repetidos sempre nesta época. Ontem passou o Sozinho em Casa 2 e o Piratas das Caraíbas nos generalistas. Até ao Natal, anotem, vamos ter Shrek 1 e 2, na terrível versão dobrada (é de vómito, a dobragem ao Shrek), e mais uma dúzia de "clássicos de Natal". Junte-se a isto aqueles programas do género "Natal nos Hospitais" ou "Natal na Prisão" em que metem um Goucha e uma Júlia Pinheiro a dizer piadas secas e a apresentar "artistas de variedades" (termo técnico para música "pimba") e a época torna-se quase num convite ao suicídio. Pelo menos para quem está no hospital, na prisão, ou em frente ao pequeno écrã.
Também não gosto particularmente de decorações de Natal, e aproveito para dizer que os meus vizinhos tiveram um péssimo gosto a decorar as suas varandas - eu ria-me era se visse a factura de electricidade que vão receber em Janeiro. Já para não falar das decorações de Natal da cidade de Lisboa - que, diga-se de passagem, não têm piada nenhuma. Gostei muito, em Agosto, e a propósito do Festival dos Oceanos e do Ano da Astronomia, daquelas decorações da Rua do Ouro, em que cada conjunto de luzes desenhava sobre a rua uma das constelações que podemos ver no céu nocturno. Eram originais, e o efeito era muito giro. As de Natal são sempre as mesmas. Aborrece.
O Natal é também aquela época do ano em que é perigoso ficar-se triste - ou simplesmente melancólico - por qualquer motivo. Mas como podes estar triste? É Natal! Raios partam. Um tipo como eu, com uma óbvia propensão para a melancolia, não faz greve por ser Natal. Mais. O Natal é aquela época do ano em que as pessoas manifestam com entusiasmo a sua queda para o disparate e para as ideias ridículas. E um bom exemplo de uma ideia ridícula é, naqueles "jantares de natal" das empresas, organizar-se as "trocas de prendas", os secret santa da tradição anglo-saxónica. Dá sempre merda. O Natal é também a época em que as pessoas que nunca se lembram de nós nos ligam ou mandam uma mensagem "de boas festas", outro fenómeno que também não consigo compreender. E é a época em que é impossível ir a um centro comercial nem que seja para comprar pilhas para o comando da televisão.
Este ano, infelizmente, não me será possível ir saborear as tradições de Natal escandinavas (um dia destes conto a história dos shots de schnaps (será assim que se escreve?) dinamarqueses durante um jantar de Natal há um par de anos). Acabou a boa vida de estudante, e já não há férias de Natal e tempo para a rambóia. Enfim, há um fim-de-semana prolongado que dá para ir até ao Alentejo fazer o que manda a tradição. A ver se convenço a minha mãe a fazer sonhos, que comê-los enquanto releio os meus álbums de Calvin & Hobbes é capaz de me salvar a noite.
john
Também não gosto particularmente de decorações de Natal, e aproveito para dizer que os meus vizinhos tiveram um péssimo gosto a decorar as suas varandas - eu ria-me era se visse a factura de electricidade que vão receber em Janeiro. Já para não falar das decorações de Natal da cidade de Lisboa - que, diga-se de passagem, não têm piada nenhuma. Gostei muito, em Agosto, e a propósito do Festival dos Oceanos e do Ano da Astronomia, daquelas decorações da Rua do Ouro, em que cada conjunto de luzes desenhava sobre a rua uma das constelações que podemos ver no céu nocturno. Eram originais, e o efeito era muito giro. As de Natal são sempre as mesmas. Aborrece.
O Natal é também aquela época do ano em que é perigoso ficar-se triste - ou simplesmente melancólico - por qualquer motivo. Mas como podes estar triste? É Natal! Raios partam. Um tipo como eu, com uma óbvia propensão para a melancolia, não faz greve por ser Natal. Mais. O Natal é aquela época do ano em que as pessoas manifestam com entusiasmo a sua queda para o disparate e para as ideias ridículas. E um bom exemplo de uma ideia ridícula é, naqueles "jantares de natal" das empresas, organizar-se as "trocas de prendas", os secret santa da tradição anglo-saxónica. Dá sempre merda. O Natal é também a época em que as pessoas que nunca se lembram de nós nos ligam ou mandam uma mensagem "de boas festas", outro fenómeno que também não consigo compreender. E é a época em que é impossível ir a um centro comercial nem que seja para comprar pilhas para o comando da televisão.
Este ano, infelizmente, não me será possível ir saborear as tradições de Natal escandinavas (um dia destes conto a história dos shots de schnaps (será assim que se escreve?) dinamarqueses durante um jantar de Natal há um par de anos). Acabou a boa vida de estudante, e já não há férias de Natal e tempo para a rambóia. Enfim, há um fim-de-semana prolongado que dá para ir até ao Alentejo fazer o que manda a tradição. A ver se convenço a minha mãe a fazer sonhos, que comê-los enquanto releio os meus álbums de Calvin & Hobbes é capaz de me salvar a noite.
john









0 Comments:
Post a Comment
<< Home