Alergias, translacções, encontros.
Há anos que isto acontece: estou perfeitamente bem em Lisboa (bem de saúde, entenda-se) e, poucas horas após chegar ao Alentejo, as minhas alergias atacam-me em força com o seu arsenal de espirros, pingo no nariz e olhos rasos de água. Não sei porque isto acontece, pois eu era (sou) alérgico ao pó. Será que é apenas ao pó lisboeta hoje em dia? Não sei, mas é esquisito. Tenho uma explicação simples, e lógica: mudanças de temperatura. Penso numa explicação rebuscada: falta de gases poluentes que respiro em grande quantidade aqui em Lisboa, mas que lá na aldeia só consigo respirar se for dormir para a garagem (e mesmo assim...). Penso na ironia que seria a minha reacção alérgica ser causada por falta de nicotina, dado que lá pouco fumo. Um amigo lembra-me que isso não seria alergia, mas sim ressaca. Bem visto, bem visto. Imaginem: fazer-me mal ao nariz e aos olhos não fumar. Delírio, delírio.
Sempre que me ligas no aniversário até me fazes sentir mal. Eu sou uma amiga tão boa que me esqueço sempre do teu. És a melhor amiga que eu poderei algum dia ter, e por isso mesmo eu não cobro esse esquecimento. Mal está a amizade quando depende de protocolos tão ridículos como o aniversário - que, no fundo, é apenas mais um movimento de translacção. Não preciso que me ligues a dar os parabéns. Preciso apenas de que, quando nos voltarmos a ver, tudo se mantenha na mesma: a intimidade, a cumplicidade, a sintonia de pensamento que nos faz sorrir ou revirar os olhos - depende da ocasião - em simultâneo.
Nota-se em nós o passar do tempo no Natal. Não por ser Natal, mas porque as circunstâncias ditam que apenas nos conseguimos encontrar todos no Natal - e, por enquanto, em Agosto, algo que suspeito não se vir a repetir no próximo ano. Este passar do tempo não se nota no desvanecer da amizade, pois creio que essa é bastante resistente. Nota-se, sim, na crescente falta de disponibilidade que todos temos, cada um à sua maneira e pelos seus motivos. No jantar do próximo ano, seremos menos. E assim sucessivamente, até que o nosso jantar se torne apenas numa recordação.
john
Sempre que me ligas no aniversário até me fazes sentir mal. Eu sou uma amiga tão boa que me esqueço sempre do teu. És a melhor amiga que eu poderei algum dia ter, e por isso mesmo eu não cobro esse esquecimento. Mal está a amizade quando depende de protocolos tão ridículos como o aniversário - que, no fundo, é apenas mais um movimento de translacção. Não preciso que me ligues a dar os parabéns. Preciso apenas de que, quando nos voltarmos a ver, tudo se mantenha na mesma: a intimidade, a cumplicidade, a sintonia de pensamento que nos faz sorrir ou revirar os olhos - depende da ocasião - em simultâneo.
Nota-se em nós o passar do tempo no Natal. Não por ser Natal, mas porque as circunstâncias ditam que apenas nos conseguimos encontrar todos no Natal - e, por enquanto, em Agosto, algo que suspeito não se vir a repetir no próximo ano. Este passar do tempo não se nota no desvanecer da amizade, pois creio que essa é bastante resistente. Nota-se, sim, na crescente falta de disponibilidade que todos temos, cada um à sua maneira e pelos seus motivos. No jantar do próximo ano, seremos menos. E assim sucessivamente, até que o nosso jantar se torne apenas numa recordação.
john









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