Da imaginação, ou da falta dela
Aqui está um disparate, perdão, uma ideia, da autoria de um "pensador" muito famoso nos dias que correm: Christopher Hitchens. Cheguei a ela através do A causa foi modificada:
The natural universe is far too complex and frightening and impressive on its own to require the puerile add-ons of space aliens and super-weapons: the interplanetary genre made even C. S. Lewis write more falsely than he normally did.
Hitchens estaria obviamente correcto se estivesse a falar de "literatura científica"; a falar de "literatura de ficção científica" - sublinhe-se "ficção" -, a frase acima citada é um grosso disparate. Até porque:
1) nem toda a ficção científica é "interplanetária";
2) nem toda a ficção científica se baseia em criaturas extra-terrestres ou "super armas";
3) uma parte significativa da literatura de ficção científica ocorre num futuro distante do ponto de vista da vida humana, mas bastante breve do ponto de vista "geológico", "do universo", enfim, o caro leitor perceberá certamente a ideia. Não será em cem, duzentos, trezentos anos - nem sequer num milénio - que a espécie humana conhecerá significativas mudanças biológicas ou genéticas. No entanto, o que não falta por aí é ficção científica dedicada ao tema (sobretudo no que à mente humana diz respeito). Na verdade, o pouco que aprendemos com este artigo de Hitchens, cuja notoriedade advém sobretudo do facto de ser ateu (nada contra), é que o "pensador" não gosta de ficção científica, e tem uma aversão especial a C.S. Lewis. O que está muito bem; só podia era evitar dizer disparates sobre a matéria. Ficava-lhe bem.
john
The natural universe is far too complex and frightening and impressive on its own to require the puerile add-ons of space aliens and super-weapons: the interplanetary genre made even C. S. Lewis write more falsely than he normally did.
Hitchens estaria obviamente correcto se estivesse a falar de "literatura científica"; a falar de "literatura de ficção científica" - sublinhe-se "ficção" -, a frase acima citada é um grosso disparate. Até porque:
1) nem toda a ficção científica é "interplanetária";
2) nem toda a ficção científica se baseia em criaturas extra-terrestres ou "super armas";
3) uma parte significativa da literatura de ficção científica ocorre num futuro distante do ponto de vista da vida humana, mas bastante breve do ponto de vista "geológico", "do universo", enfim, o caro leitor perceberá certamente a ideia. Não será em cem, duzentos, trezentos anos - nem sequer num milénio - que a espécie humana conhecerá significativas mudanças biológicas ou genéticas. No entanto, o que não falta por aí é ficção científica dedicada ao tema (sobretudo no que à mente humana diz respeito). Na verdade, o pouco que aprendemos com este artigo de Hitchens, cuja notoriedade advém sobretudo do facto de ser ateu (nada contra), é que o "pensador" não gosta de ficção científica, e tem uma aversão especial a C.S. Lewis. O que está muito bem; só podia era evitar dizer disparates sobre a matéria. Ficava-lhe bem.
john









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