O preconceito cultural
Agora que reli este post, dei por mim a pensar: Alegre exagera, claro - o número de cantos dos Lusíadas não é cultura no sentido "elitista" da coisa, passe a expressão, é cultura geral. Coisa que boa parte das pessoas sabe, quanto mais não seja por ter estudado a obra de Camões durante os tempos de escola. Mas a verdade - e isto, atenção, não é uma defesa de Cavaco - é que o preconceito cultural contra Cavaco existe, é muito generalizado e, sobretudo, injustificado. Se Cavaco respondesse a Alegre, muito diplomaticamente, "os Lusíadas têm dez cantos, um dois três quatro cinco seis sete oito nove dez, mas muito sinceramente, e reconhecendo-lhe todo o valor enquanto obra maior da literatura portuguesa, não está entre as minhas leituras preferidas", viria daí algum mal ao mundo? Ou mesmo que ele dissesse que não aprecia poesia de todo? Ou ficção? Seria por isso mais ignorante que os demais? Passaria a ser pior candidato por isso? A resposta a estas perguntas, como é bom de ver, é negativa - significaria apenas que Cavaco teria apenas um gosto próprio que não incluiria Camões, poetas ou, sei lá, Saramago ou Sousa Tavares. Quem quiser atacar Cavaco, tem muito por onde fazê-lo - o homem foi primeiro-ministro durante imensos anos, já fez um mandato presidencial, e, que diabo, até pelo bolo-rei a coisa ainda se traga. Pela "questão cultural", ou pelo valor que ele dá à a essa coisa vagamente transcendente (e, na boca de muito boa gente, francamente snob) que é a "cultura", parece-me despropositado, quando não mesquinho.
john









0 Comments:
Post a Comment
<< Home