Declaração de independência
Talvez não fosse pior que o nosso sistema pós-revolucionário de multi-pardidarismo continuasse a ser um manifesto verdadeiro de vontades políticas diferentes, no eleitorado. Portugal é um país feito de opiniões publicadas bem mais fortes do que opiniões públicas. Julgo que, nunca como hoje, se encontra uma falta de sintonia tão grande entre quem opina e que é vítima do exercício. Desde '74 até hoje, sempre o eleitorado português vincou um pendor multi-opininativo, multi-partidário, sem que essa soberania de manifestação-de-vontades colectiva fosse questionada. Ora, este exercício contemporâneo e permanente da imposição de concensos tem, necessariamente, que encontrar aderência na vontade-expressa-colectiva nos cincos de junhos da vida. Parece-me que não é isso que vai acontecendo. E há, a meu ver, um mal-escondido sentimento de (irremediável) distância lusitana entre nós e o Povo. «We, the People...»
jtf









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