14.9.11

O Incêndio

Não é nova a dictomia entre os Portugueses e o Estado. Este Governo tem cultivado com afinco a oposição entre estes dois grupos como forma de legitimar aquela ideia antiga de tratar-da-saúde ao segundo, para com isso aliviar os primeiros. A adjectivação sempre foi uma parte importante da comunicação; e chamá-lo gordo talvez não tenha sido prudente, ao mesmo tempo que se vendem as Águas de Portugal por dois patacos e se aumentam os transportes 15%. Marcou-se, assim, o trote do erro em que o Governo tem, fulgurantemente, laborado. Facilmente se verá que, se por um lado diminuir o peso do Estado significa aliviar os cidadãos dos seus custos, por outro significa retirar-lhes os seus benefícios. Os dois grupos são, na verdade, o mesmo; e isso inquinará os propósitos ofuscadamente reformadores de Pedro Passos Coelho. Talvez por impulso preventivo, o primeiro-ministro já avisou que não tolerará quem queira «incendiar o país». Pode ser que os Portugueses venham a avisar o Governo de que não toleram quem quer incendiar o Estado.

jtf

1 Comments:

Anonymous john said...

Naturalmente. Como disse Heinlein, "there ain't no such thing as a free lunch". Pessoalmente, acho que há dois caminhos viáveis: ou um estado social escandinavo, gordo mas com serviços bons, ou um estado magro onde cada um faz o que lhe apetecer (e assume essa responsabilidade). O que nós temos é o pior dos dois mundos: pagamos muito e em troca temos péssimos serviços (a começar pelo SNS e a Educação).

10:44 PM  

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