Da interacção
Não consigo compreender as pessoas que dizem que concerto X foi mau porque o artista Y ou a banda Z "não interagiu com o público". Se a ideia é interacção, então mais vale fazer-se uma sessão de autógrafos - há menos barulho, e com jeitinho a banda arranja um ou dois minutos para cada pessoa. O objectivo de um concerto é ouvir ao vivo as músicas de um artista ou de uma banda - como tal, o que se pede é que a banda toque as músicas que tem para tocar, e que as toque tão bem quanto possível. Há concertos, claro, em que a interacção com o público torna a coisa muito interessante - assim de repente, lembro-me de um concerto de Audioslave há alguns anos, no qual Chris Cornell fartou-se de falar com o público, e depois tocou uma excelente versão acústica da Black Hole Sun, da sua antiga banda Soundgarden. Mas também me lembro de um extraordinário concerto de Tool, que estará sem dúvida no meu top 5 de concertos, no qual não houve (que me lembre) qualquer interacção - o vocalista, aliás, até estava no fundo do palco. Por outro lado, o que não falta por aí é concertos nos quais os artistas ou as bandas são simpatiquíssimos mas o resultado musical - que, em última análise, é o que verdadeiramente interessa num concerto - fica muito distante das expectativas.
Há muita gente com as prioridades trocadas, é o que é.
john









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