13.2.12

A Democracia Moderna













Parece hoje mais ou menos claro que o chamado «problema grego» é bem mais prolixo do que poderia parecer às vistas menos previdentes. Mesmo para os adeptos da economia dita de mercado (informação simétrica, pontos de equilíbrio e equilibrios de Nash), a coboiada tem limites. Até porque a separação higiénica entre populações e mercados é uma infantil ilusão de óptica. Na altura do segundo take do pacote-de-resgate pareceu-me que a ideia de impor aos gregos uma solução sem que deles viesse o necessário consentimento seria o mesmo que pôr vários carros à frente do mesmo boi. É certo que os bois entretanto multiplicaram-se, mas na altura achou-se prudente (palavra deliciosa) não atulhar os mercados com excesso de informação que reflectisse a insolente vontade das massas; pois poderiam sucumbir à surpresa e temia-se que não resistissem ao desapontamento. Se alguma coisa a História nos pode ensinar (e não é pouco) é que as massas, mais ano menos ano, impõem-se. Pelo menos para aqueles para quem a democracia é uma condição e não uma variável.

Por outro lado, muitos dos truões do status-quo ainda não conseguiram articular um discurso coerente que sustente que animais vergastados pela purificante austeridade podem, no dia seguinte, reerguer-se e crescer como crescem os potros de corrida. Aqui é que a porca torce o rabo. É relativamente inquestionável que, num contexto para-federal com livre circulação, o fortalecimento do mercado interno é condição necessária para o equilíbrio primeiro e para o crescimento depois. Nesta equação a ordem dos factores é importante e ter-se começado pelo equilíbrio orçamental à bruta foi uma opção, não foi uma inevitabilidade.

jtf

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