10.1.08

fedorento que baste.

10 de Janeiro, ainda a noite não tinha caído mas tombava de tal modo que já nada a detinha na queda pingante, aquele lusco-fusco das seis e meia da tarde, Lisboa, Campo de Ourique, Rua Coelho da Rocha, enquanto tudo isto passava como num filme aveludado a Hallelujahs de ipod, a 32 db, pessoas fazem fila para enfiar cartas em ranhuras encarnadas nos ctt do bairro, prática que julguei mais arcaica do que conduzir charruas nos Restauradores, 18h25m e já a sala superior da Casa Fernando Pessoa esticava todas as costuras que ainda resistiam, julgo até que respirar se tornou penoso, o evento era simples e tão literário-intelectual que (em circunstâncias normais) ninguém sairia de casa, apanharia chuva, irritar-se-ia para estacionar o veículo ou a coche, resistiria sem adormecer por mais de cinco minutos ouvindo alguém falar de poesia, ali apresentava-se hoje o mais recente livro de poemas de Francisco José Viegas editado pela Quasi, é mais do que óbvio que apresentar livros de poesia supõe não mais de cinco ou seis gatos pingados, com cara de aborigenes, transpirando a Esquerda por todos os poros, com aqueles óculos que só os pseudo-intelectuais usam, pretos e de massa, (como os meus), nunca mais de seis se poderiam supor, contudo hoje a apresentação de Se Me Comovesse O Amor parecia um concerto do Robbin Williams ou mesmo de qualquer um dos Carreiras, a justificação é anã e o conselho é simples: quando quiserem multidões para o que quer que seja convidem o Ricardo Araújo Pereira.

jtf

p.s.1: João, é verdade que tenho estado ausente. A tese não me tem dado tempo para me coçar.
p.s.2: Tudo isto não invalida o facto de que, sendo ateu, nem tentei falar com o RAP. Afinal, toda a minha educação foi construída sabendo que não se fala com Deus de qualquer maneira.

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