"inspectores de lancheira" *
li isto no blogue da revista atlântico, e, apesar de surpreendido, não fiquei chocado - kinda saw it coming. ora agora querem controlar o que os paizinhos colocam na lancheira dos filhos? e se não for saudável, é confiscado? tudo em nome da "saúde pública".
creio que se um dos burocratas produtores deste tipo de leis, ou um defensor da "saúde pública", tivesse visto a minha lancheira de criança, tinha um acidente vascular cerebral instantâneo. bem me recordo de levar para a escola - ou em visitas de estudo - um ou dois pacotes de leite com chocolate, e um ou dois pães barrados com banha (sabem aquela banha alaranjada que a carne de porco acumula? essa mesmo; no pão, é uma delícia), e recheados com piques de carne de porco cortados em pequenas fatias. ou então uma bela sandes de linguiça ou de chouriço - produtos caseiros, claro, produzidos sem condições de higiente nas tradicionais matanças de porco que a asae deve atacar em breve. fruta, nem vê-la - ficaria pisada, intragável, e seria uma chatice de limpar. salada? estão a gozar? então e em casa? os meus pais estaria presos há muito tempo, por nunca terem obrigado o filho a comer sopa de vegetais (coisa que abomino) ou salada (idem). ou por lhe darem linguiça assada em aguardente (produzida ilegalmente por um velhote a partir de medronho, numa destilaria caseira).
aliás, se um desses burocratas visse os meus hábitos alimentares tinha um enfarte. receições fora de horas, com muita carne, pouco peixe e virtualmente nenhuns vegetais. cerveja e vinho à refeição quando se pode. muitos enchidos, muito pão alentejano sempre que posso. quatro cafés por dia (três até à hora de almoço), um maço de tabaco por dia. em média.
dadas estas condições, e a péssima alimentação que os meus paizinhos me deram em petiz, é evidente que sou gordo. gordo, não: obeso. tenho aqui 72 quilos de pura obesidade distribuídos por 1,86 metros de altura. claro que quando a minha mãe diz que eu devia engordar, está apenas a ser sarcástica, muito sarcástica.
jc (com muitas saudades da carne e da banha de porco, lisboa não tem iguarias destas)
*título roubado do post do blog atlântico, dado ser realmente o mais adequado.









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