o batráquio
gostava de saber - mesmo - porque tantos blogues conhecidos cá na nossa praça estão a migrar compulsivamente para a plataforma do sapo.
podia entrar aqui em grandes considerações acerca de o sapo, o bicharoco esguio e traquina que aparece nas publicidades, não ser na verdade um sapo, e nem sequer uma rã - mas uma rela (e sim, para um campónio como eu, que até aos dezoito anos viu mais sapos do que pessoas, que já teve rãs em casa e que já andou a passear no campo com uma rela colada na testa*, isto é de extrema importância). não o farei, porém (ena, e agora senti-me quase como o santana lopes, mas mais sério), uma vez que uma parte significativa da população de lisboa seria incapaz de compreender a diferença (sem ofensa), uma vez que é de senso comum que marketing e realidade são muitas vezes conceitos a jogar em lados opostos do campo, e porque acho que este texto se está a esticar nos parênteses**. como tal, e em bom do rigor sem prejudicar a marca ou a ciência, designaremos a coisa por a plataforma do batráquio.
(e se este fosse um blogue mais frequentado apareceria aqui alguém ainda mais campónio do que eu, com um canudo em biologia por cima, a anular a minha tese em 350 caracteres - a vantagem de ser ser praticamente desconhecido é que o disparate está, a bem dizer, liberalizado)
ora esta minha interrogação tem um motivo. pergunto-me, então, o que tem o batráquio de especial? responder-me-ão os fãs que para o saber, teria de experimentar criar um blogue na plataforma do batráquio. ora sucede que já o fiz - há muito tempo atrás, note-se, mas foi feito. o meu primeiro blogue, que não importa aqui mencionar (porque era demasiado teen e porque já tive o bom-senso de o retirar da rede), estava alojado na barriga do batráquio. ora sucede que a dita plataforma, há quatro anos atrás, era para todos os efeitos uma merda. instável, com poucas opções, com templates pré-definidos foleiros (alguns eram um atentado à estética) e onde era muito difícil configurar um layout decente. após um verão na zambujeira do mar tendo apenas como recurso para aceder à net o computador de acesso público da junta de freguesia (pagava-se à hora), decidi mudar. porquê? porque as configurações do computador, por motivos que nunca compreendi, não permitiam actualizar o blogue. findo o verão e regressado eu a lisboa (e à minha querida ligação de banda larga), acabou o blogue no sapo, começou a minha estadia no blogger.
jurando a mim mesmo que não tornaria a entrar no batráquio.
não é que o tencione fazer, note-se - estou muito satisfeito com uma plataforma não-anfíbia como o blogger. mas intriga-me o facto de tantos blogues famosos se estarem a mudar. terá o batráquio melhorado assim tanto a sua plataforma? será agora realmente uma super-plataforma? elucidem-me.
jc
*disclaimer: nenhum sapo e nenhuma rã ou rela foi magoada por mim, directa ou indirectamente, no decorrer dos meus 22 anos de existência. quando digo que tive uma rela colada na testa - o que foi verdade, e muito divertido (e nojento para a maior parte das raparigas que conheço, incluíndo a minha namorada - atenção, rapazes, uma rela colada na testa não resulta para engate, provavelmente nem com as meninas de biologia da faculdade de ciências. um golden retriever com poucos meses, ou um bebé (se conseguirem arranjar um emprestado) são incomparavelmente mais eficazes) - quero apenas dizer que não colei o dito batráquio (a rela, não a plataforma do sapo) com super cola na minha testa. as relas têm pequenas ventosas na extremidade dos dedos das suas quatro patinhas, pelo que se colam praticamente a qualquer coisa.
**número total de parênteses: 22.









1 Comments:
Também eu tenho reparado que muitos dos blogues têm mudado de senhorio. Eu também já criei um blogue no sapo, mas os template são tão foleiro e tão difícies de editar que perdi a paciência ao terceiro clique. Julgo que tudo não passa de marketing-batráquio.
Este post só comprova que ter o João Campos como companheiro de blogue é, de facto, um privilégio. Este post tem tudo o que um post deve ter. Cinco estrelas.
jtf
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