24.4.08

ler

a ler voltou, agora pela mão de francisco josé viegas. já era notável o trabalho que viegas vinha a desenvolver no blogue da revista, com informações em primeira mão sobre a polémica da feira do livro de lisboa e muitos outros artigos interessantes, bem informados. mas a revista está realmente acima daquilo que esperava. note-se, não é uma revista que vá (creio) provocar rupturas, criar um estilo, renovar o universo da escrita ou o mundo editorial, ou colocar o país a ler, infelizmente (ler no sentido que antónio lobo antunes atribui na entrevista central - e que entrevista). mas é uma revista sólida, bem escrita, com um grafismo adequado, artigos interessantes e um grupo de colunistas muito bom.

de destacar é a entrevista a antónio lobo antunes (já disse que era extraordinária?), as crónicas do melhor blogger português, filipe nunes vicente (grande escolha da parte do francisco), de onésimo teotónio de almeida (divertidíssima), e o artigo de josé mário silva sobre os cinquenta autores mais influentes do século XX.

Este artigo, curiosamente, vem quase no seguimento daquela "lista" elaborada pelo telegraph que aqui mencionei. é certo que este tipo de lista vale o que vale - no fundo, por mais "clássicos" que ela inclua, e mesmo que alguns sejam evidentes, a lista será sempre - sempre - uma avaliação subjectiva de quem a elabora (a mim nunca me passará pela cabeça falar de livros sem mencionar, para além dos inevitáveis tolkien e salinger, joan vinge, philip pullman ou vergílio ferreira, só para não sair do século vinte - se recuar mais um pouco, já tenho de arranjar cadeiras para sentar dostoievsky, verne, eça e poe). mas achei interessante que josé mário silva tenha dado destaque também a filósofos. agradou-me particularmente descobrir, entre beckett e kafka, walter benjamin ou freud - este último tudo menos consensual. e, claro, que o autor não se tenha prestado à tarefa costumeira de fazer uma lista com as vacas sagradas, com os tais "clássicos", mas que tenha procurado alargar mais um pouco os horizontes. aplauso.

e, claro, dignas de registo são também as crónicas de pedro mexia e de eduardo pitta (e dos restantes colaboradores, evidententemente).

agora terminava o textinho dando, claro, os parabéns a francisco josé viegas pelo excelente trabalho (e dou), e com uma citação retiradinha da entrevista (muito boa) de antónio lobo antunes. não o farei (a citação), porém, por dois motivos: primeiro, porque não saberia qual escolher; segundo, porque se começo a retirar citações da entrevista, vou acabar por transcrevê-la na íntegra, e não pretendo isso. há coisas que só devem ser lidas em papel.

joão campos

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