6.4.09

Vinte e cinco

António Manuel Venda, no Delito de Opinião, refere os vinte e cinco livros da sua vida, e desafia os leitores a falar do tema. Pensei em deixar um comentário, mas iria certamente ficar longo. Aqui vai, portanto, em formato de post. Não vou mencionar vinte e cinco, mas deixo aqui alguns, com um breve comentário:

The Fountainhead, de Ayn Rand: É a minha leitura de momento, e posso já dizer que é o melhor livro que já li. Obrigado à malta do Insurgente pelas constantes referências - foram elas que me aguçaram a curiosidade.

The Catcher in the Rye, de J.D. Salinger: A história de cinco dias na vida do adolescente Holden Caulfield, após a sua expulsão do colégio que frequenta. Nunca encontrei uma personagem com a qual me identificasse tanto. E a escrita de Salinger é simplesmente brilhante.

The Silmarillion, de J.R.R. Tolkien: A obra-prima nunca concluída por Tolkien - que também nos deu O Senhor dos Anéis e abriu as portas à literatura de fantasia. No género, creio que é insuperável, e a sua influência saiu do universo literário - faz todo o sentido perguntarmo-nos se existiriam todos os fabulosos universos de fantasia em jogos de tabuleiro, cartas, videojogos e role-play se a obra de Tolkien não tivesse existido. Pessoalmente, acho que não.

The Snow Queen, de Joan D. Vinge: Numa época em que a ficção científica era dominada por personagens masculinas, houve duas rupturas: no cinema, Ridley Scott, com a personagem Helen Ripley (Sigourney Weaver) no genial Alien; e na literatura, Joan D. Vinge com Moon Dawntreader e Arienrhod no romance The Snow Queen. Para quem gosta de shoot-em-ups espaciais, pode não ser o livro mais indicado. Mas quem gosta de uma grande história, não hesite.

Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons: A graphic novel do século XX, e a única obra do género a constar na lista da revista Time. Watchmen desconstrói o conceito de super-herói com mestria, apresentando uma realidade alternativa da Guerra Fria onde os justiceiros mascarados são seres humanos como outros quaisquer. E onde o assassínio brutal de um vigilante acaba por revelar uma tremenda conspiração.

Psion, de Joan D. Vinge: É curioso - quando li Psion, pensei que estava muitos furos abaixo de The Snow Queen. Mas acabei por reler, e perceber que estava errado. Muito errado. Psion é um romance extraordinário sobre a diferença e sobre o preconceito - e sobre como os verdadeiros heróis são sempre improváveis.

Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick: Sobre este, não há muito a dizer. O melhor filme de ficção científica de todos os tempos - Blade Runner, evidentemente - baseia-se nesta obra. E o livro é ainda melhor, acreditem.

Brothers' War, de Jeff Grubb: Sim, é um livro do jogo geek Magic: The Gathering. E depois? A história da guerra entre os irmãos Urza e Mishra que levou à destruição do continente de Argoth e mergulhou o mundo de Dominaria numa era glacial continua a ser uma das melhores obras de fantasia que já li.

Northern Lights, de Philip Pullman: A saga His Dark Materials (Northern Lights, The Subtle Knife e The Amber Spyglass), foi considerada por vários críticos como a melhor trilogia de fantasia desde O Senhor dos Anéis. Não li, naturalmente, toda a fantasia desde a obra-prima de Tolkien, mas esta opinião não andará longe da verdade. Pullman criou um mundo extraordinário, cruzou-o com o nosso, e deu forma a uma obra imprescidível para quem gosta do género. E esqueçam a (péssima) adaptação para cinema.

Os Maias, de Eça de Queirós: Uma das leituras do tempo do Secundário. Impressiona por o retrato da sociedade portuguesa de finais do século XIX ser terrivelmente actual. E pela escrita, naturalmente. De resto, nunca percebi o mito da descrição do Ramalhete: continuo a achá-la uma passagem fabulosa do livro.

Aparição, de Vergílio Ferreira: A grande leitura do tempo do Secundário - aliás, creio que à época, fui a única pessoa da minha turma que verdadeiramente gostou deste romance de Vergílio Ferreira. Hoje já não consta dos programas, o que é uma pena (não desfazendo o Memorial do Convento, apesar de, confesso, nunca o ter lido).

O Cágado, de Almada Negreiros: Não é um romance, mas sim um conto (uma short-story, se quiserem) sobre um homem que escava até à China por causa de um cágado. Hilariante (e não, o cágado não se chamava Eustáquio).

Volta ao Mundo em Oitenta Dias, de Júlio Verne: O primeiro romance que li (se excluírmos a colecção Uma Aventura e as bandas desenhadas da Disney), tinha eu oito anos. Nunca me vou esquecer da chegada apoteótica do fleumático Phileas Fogg ao clube londrino, quando julgava que a aposta estava perdida - valeu-lhe ter viajado para Oriente, e não para Ocidente. A vida também é feita de acasos.

john

[se alguém quiser continuar, faça favor.]

6 Comments:

Blogger amvenda@sapo.pt said...

Caro João Campos

Mais do que 25 livos, eu escolhi 25 escritores, e deles um livro, e nalguns casos nem foi o livro que mais me marcou. Mas comento isto mais pelo conto de que fala, «O Cágado». É um conto para mim inesquecível, o do homem muito senhor da sua vontade que vai ter ao outro lado do mundo por um buraco que cava na terra. Curiosamente, termino o romance que publiquei recentemente com esse conto, uma grande ajuda na minha história.

Abraço,

António

11:39 PM  
Blogger João Campos said...

Caro António,

descobri o conto "O Cágado" numa antologia do conto português (que ainda não li na totalidade, confesso). É extraordinário.

Como se chama o romance?

Por acaso nesta minha "lista" esqueci-me de mencionar dois livros que foram importantes: "Crime e Castigo", o primeiro de Dostoievsky que li, e 1984, sobre o qual fiz um dos meus melhores trabalhos dos tempos da universidade.

Abraço,

João

11:39 AM  
Blogger amvenda@sapo.pt said...

João, o romance é este que está aqui, num blog que criei para ele:
http://umanoitecomofogo.blogspot.com/
Não pensava que ter clocado a referência à lista no Delito... fosse dar origem a que se falasse de tantos livros. É curiosos como alguns se repetem de pessoas para pessoa - estes dois que agora refere, por exemplo.

Abraço,

António

11:47 AM  
Blogger João Campos said...

É um facto, mas creio que tanto o "Crime e Castigo" como o "1984" são dois livros mais ou menos inevitáveis.

Ainda bem que fez a referência, caro António - livros (literatura) é sempre um excelente tema para a bloga. Mais: um exercício como aquele que fez permite que os leitores (todos nós) fiquemos a conhecer outras coisas. Como se fossem sugestões de leitura, digamos assim.

Vi o blogue e não pude deixar de reparar que é de Monchique - uma bela terra, por onde já passei inúmeras vezes (e onde ia frequentemente em criança, quando havia carreiras regulares entre Sabóia e Monchique).

Abraço,

João

2:55 PM  
Blogger amvenda@sapo.pt said...

Monchique e Sabóia... Em tempos publiquei um pequeno romance que se passa entre uma vila fictícia perto de Monchique e Sabóia.

4:19 PM  
Blogger João Campos said...

O mundo é um lugar pequeno... e a blogosfera também. Nunca pensei encontrar na blogosfera quem conhecesse a minha terra, mas tem acontecido ultimamente!

4:38 PM  

Post a Comment

<< Home