8.5.09

Queima

Este ano não fui à queima de Coimbra. Com pena, admito, mas a vida já não me permite essas coisas (falta de tempo, falta de tempo). Leio aquilo que o João Gonçalves escreve aqui e aqui. Não sei se a(s) queima(s) são subsidiadas ou não, mas tenho ideia de que os seus subsídios são privados - resultam das associações académicas, e de muito trabalho dos próprios alunos a organizar festas e actividades que lhes permitam arranjar dinheiro. Espero que assim seja.

Não posso, porém, concordar por completo com a parte do "precocemente decadentes e vazios". A queima é uma actividade "vazia"? Sim, absolutamente vazia. E inconsequente. E irresponsável. E por isso mesmo gostei tanto de lá ter estado em outros anos: estou com amigos, conheço pessoas, bebo uns copos (demasiados, sim, mas não o suficiente para necessitar de assistência médica). É um dia de folia, um carnaval. Há gente que lá está e que encaixa na descrição de "precocemente decadentes e vazios"? Sem dúvida. Mas para isso não era preciso ir à queima de Coimbra: bastava-me olhar para a minha turma de há dois anos atrás, quando acabei o curso de Jornalismo - e a turma não era muito grande. Encontra-se de tudo, na queima: decadentes, calões, gente absolutamente anónima na festa ou na sala de aula, bons alunos. Há quem beba demasiado, há quem não beba - e uma opção é tão válida como a outra.

O João Gonçalves termina da seguinte forma: Esta juventude que finge a alegria em copos de cerveja ainda por cima é subsidiada para exibir a sua frivolidade em público. É por estas e por outras que não vamos a lado algum. Não vamos a lado algum. É um facto. Mas não será só por causa disto. Eu olho para o parlamento e vejo uma assembleia preenchida por incapazes. Olho para o nosso governo e vejo um bando de autistas, com um primeiro-ministro desprovido de qualquer sinal distante de boa educação. Olho para a nossa classe política e vejo trauliteiros, comedores de Maizena, malhadores, gente que quer resolver as coisas "lá fora", na Rua de São Bento. Gente que é (muito bem) paga pelo erário público para se insultar diariamente, e para insultar os portugueses. Também já foram jovens. Como era no tempo deles, em que a juventude não era "precocemente decadente e vazia"? Não sei. Mas veja-se onde chegaram.

john

2 Comments:

Blogger Samuel Filipe said...

Pelo que o JG escreve ele sabe bem que o problema «atravessa gerações»...

3:12 PM  
Blogger João Campos said...

Eu sei que sabe. Não é por acaso que me dá imenso prazer ler o João Gonçalves.

O problema para o qual ele alerta é grave, mas considero a generalização um pouco errada. De resto, o problema da educação em Portugal não começa na universidade. Começa nas cadeirinhas da escola primária. Se não antes...

3:18 PM  

Post a Comment

<< Home