Vamos aos tópicos, então.
Mas antes, João, permite-me que te diga que estou a gostar do debate.
1) Pode haver azia da parte de Belmiro, uma azia transposta para o jornal Público. Concedo. No entanto, há algumas coisas que convém lembrar. O caso da licenciatura, por exemplo, não partiu do jornal, mas da investigação de um blogger, e foram necessários vários dias para que a coisa finalmente chegasse à comunicação social. O caso das casas foi desenterrado pelo Público, creio. O caso Freeport não. O caso "Cova da Beira" também não. O caso dos terrenos, idem.
De resto, acho que colocas a questão ao contrário. Existindo realmente estes casos - porque existem -, o que importa não é saber o que motiva o Público (e a TVI, e o Sol, que também teve chatices) a prosseguir as suas "cruzadas". O que importa é saber porque é que são os únicos. E porque as investigações não avançam. E porque ninguém acha estranho desaparecerem de arquivos documentos relacionados com estes casos.
2) Não sei se será fácil ou não colocar perguntas difíceis ao primeiro-ministro. Mas tantos casos e continuamos na tese da campanha negra? Olha, no limite, mesmo que o caso Freeport tenha sido "cozinhado" por jornalistas, polícias e elementos do PSD, como algumas almas dizem por aí, alguma coisa se terá passado. Pode ou não envolver o primeiro-ministro. Mas é necessário perceber o que se passou. E bradar contra campanhas negras gera apenas ruído de fundo.
3) Goste-se ou não de Manuela Moura Guedes, a atitude de Marinho Pinto é inaceitável. Ele é bastonário da Ordem dos Advogados. Agir como ele agiu enxovalha toda a classe que representa. Torno a lembrar Santana Lopes na SIC. De resto, a TVI não assumiu aquele estilo naquela entrevista. Já toda a gente sabe do que a casa gasta. Democracia também é isso: conviver com bom jornalismo e com mau. Por cá, actualmente, o bom anda um pouco apagado. Mais: democracia é também ter alternativas. Nada obriga o bastonário, ou quem quer que seja, a ser entrevistado por MMG. Tal como nada obriga quem quer que seja a ver o jornal das sextas da TVI.
4) No limite, sim, este tipo de casos andam ao sabor de vários interesses, mais ou menos ocultos. Mas não há, parece-me, fumo sem fogo. E se há fumo, então convém apurar onde está o fogo. Fazendo uma comparação francamente exagerada, vem-me à ideia o Watergate.
5) Eu também prefiro um estilo sóbrio, apesar de considerar que em democracia tudo deve existir - e os excessos julgam-se em tribunal (recordemos o Independente, que conheceu vários processos mas nenhum deles movido por Cavaco Silva, à época primeiro-ministro). Mas na falta de um estilo sóbrio sem medo, prefiro ruído ao silêncio cúmplice.
john
1) Pode haver azia da parte de Belmiro, uma azia transposta para o jornal Público. Concedo. No entanto, há algumas coisas que convém lembrar. O caso da licenciatura, por exemplo, não partiu do jornal, mas da investigação de um blogger, e foram necessários vários dias para que a coisa finalmente chegasse à comunicação social. O caso das casas foi desenterrado pelo Público, creio. O caso Freeport não. O caso "Cova da Beira" também não. O caso dos terrenos, idem.
De resto, acho que colocas a questão ao contrário. Existindo realmente estes casos - porque existem -, o que importa não é saber o que motiva o Público (e a TVI, e o Sol, que também teve chatices) a prosseguir as suas "cruzadas". O que importa é saber porque é que são os únicos. E porque as investigações não avançam. E porque ninguém acha estranho desaparecerem de arquivos documentos relacionados com estes casos.
2) Não sei se será fácil ou não colocar perguntas difíceis ao primeiro-ministro. Mas tantos casos e continuamos na tese da campanha negra? Olha, no limite, mesmo que o caso Freeport tenha sido "cozinhado" por jornalistas, polícias e elementos do PSD, como algumas almas dizem por aí, alguma coisa se terá passado. Pode ou não envolver o primeiro-ministro. Mas é necessário perceber o que se passou. E bradar contra campanhas negras gera apenas ruído de fundo.
3) Goste-se ou não de Manuela Moura Guedes, a atitude de Marinho Pinto é inaceitável. Ele é bastonário da Ordem dos Advogados. Agir como ele agiu enxovalha toda a classe que representa. Torno a lembrar Santana Lopes na SIC. De resto, a TVI não assumiu aquele estilo naquela entrevista. Já toda a gente sabe do que a casa gasta. Democracia também é isso: conviver com bom jornalismo e com mau. Por cá, actualmente, o bom anda um pouco apagado. Mais: democracia é também ter alternativas. Nada obriga o bastonário, ou quem quer que seja, a ser entrevistado por MMG. Tal como nada obriga quem quer que seja a ver o jornal das sextas da TVI.
4) No limite, sim, este tipo de casos andam ao sabor de vários interesses, mais ou menos ocultos. Mas não há, parece-me, fumo sem fogo. E se há fumo, então convém apurar onde está o fogo. Fazendo uma comparação francamente exagerada, vem-me à ideia o Watergate.
5) Eu também prefiro um estilo sóbrio, apesar de considerar que em democracia tudo deve existir - e os excessos julgam-se em tribunal (recordemos o Independente, que conheceu vários processos mas nenhum deles movido por Cavaco Silva, à época primeiro-ministro). Mas na falta de um estilo sóbrio sem medo, prefiro ruído ao silêncio cúmplice.
john









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