5.8.09

Aliens e Andróides.

Ridley Scott realizará o próximo filme da série Alien. Este novo filme será uma prequela ao original de 1979. Um amigo com quem discuto o tema diz-me para não me preocupar e manter algum optimismo quanto ao projecto, mas isso é para mim uma tarefa difícil. Alien não só é um dos melhores filmes de ficção científica de sempre, como também é, para todos os efeitos, uma obra-prima do cinema. A sua primeira sequela, Aliens, realizada por James Cameron, assumiu um rumo diferente, afastando-se do suspence do primeiro filme para se centrar mais na acção - e revelou-se um excelente filme, que não creio ter desiludido quem gostou do original. Já Alien 3, de David Fincher, foi fraquito. E Alien Resurrection, de Jean Pierre Jeunet, foi um fiasco monumental, onde nem Sigourney Weaver e Wynona Ryder conseguiram brilhar. Saber que Ridley Scott vai voltar à ficção científica é, em si, uma boa notícia. Diria mais: é uma excelente notícia. Saber que esse regresso vai ser feito com uma prequela a Alien deixa-me céptico. Até porque desta vez não vai haver Helen Ripley para brilhar. Como tudo na vida, é esperar para ver.

Entretanto, o outro filme de ficção científica realizado por Ridley Scott, Blade Runner, foi escolhido por fãs de cinema como o melhor filme de ficção científica de todos os tempos, deixando para trás obras como 2001: A Space Odyssey, de Stanley Kubrick, ou Star Wars, de George Lucas. Justiça lhe seja feita: Blade Runner é uma obra-prima do cinema, um filme atmosférico e genial que, tal como Alien, sobreviveu elegantemente ao teste do tempo e continua a ser profundamente actual - ao contrário de tantos outros, como, por exemplo, Dune. Mais do que isso, Blade Runner é uma lição para qualquer aspirante a realizador que procure adaptar uma obra literária: a adaptação não pode nunca ser literal. Quem leu Do Androids Dream of Electric Sheep?, a obra de Philip K. Dick que inspirou o filme, compreende isso: as diferenças entre livro e filme são imensas, de tal forma que o filme brilha por si mesmo, independentemente da sua base. Em jeito de conclusão, acrescento que não deixa de ser curioso que, aquando do seu lançamento, Blade Runner tenha sido um fiasco de bilheteira e um alvo para a crítica descarregar a bílis. Mas o tempo, como em tantas ocasiões (recordar The Night of the Hunter), encarregou-se de lhe fazer justiça.

john

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