21.9.09

O delírio

Porque só mesmo uma grande dose de delírio pode explicar uma prosa destas. Passo a explicar:

1) Não está provado que Fernando Lima tenha actuado sob "ordens do patrão", como não está provado, por exemplo, que Sócrates tenha participado nos esquemas dos filhos do seu tio no caso Freeport. Claro que imagino que para uma mente simplex, isto seja apenas um detalhe, pois Cavaco é vil como as cobras e Sócrates, naturalmente, é bom - e uma vítima dos pérfidos esquemas da direita "salazarenta". O mundo fica tão bonito a preto-e-branco.

2) (...) os cavaquistas afastavam Luís Felipe Menezes da liderança do PSD e colocavam no seu lugar Manuela Ferreira Leite (intentando a partir dai derrubar o Governo) (...). Onde a teoria da conspiração já chega. Luís Felipe Menezes foi o pior líder que eu vi passar pelJustify Fullo PSD. Manuela Ferreira Leite não foi "colocada" no seu lugar; ela venceu as eleições internas do partido, às quais concorreu contra o "liberal" Pedro Passos Coelho e contra Santana Lopes. MFL ganhou essas eleições.
Para derrubar o Governo? Que me lembre, o único governo que foi derrubado nos últimos anos foi precisamente o de Santana Lopes, por Jorge Sampaio (socialista, por acaso) - o que permitiu ao Partido Socialista, já recomposto dos escândalos e da guerrinha interna, apoiar-se em algumas mentirinhas para chegar à maioria absoluta (tendo depois o bom Constâncio dado uma ajuda com a efabulação do défice para que a promessa de não subir impostos fosse quebrada). Tanto delírio: não houve aqui qualquer intenção de derrubar quem quer que fosse, muito menos o Governo. A menos, claro, que se considere as eleições legislativas que se aproximam como um "golpe de estado" caso o PSD vença. De resto, nem me admirava de ouvir isto da boca de Santos Silva.

3) O resto do caso cheira mal que se farta, de facto. Mas não me parece que seja apenas por culpa de Cavaco - que, de resto, fez o que lhe competia e demitiu o assessor.

john

2 Comments:

Blogger Ana Gabriela A. S. Fernandes said...

John
A frase-chave dessa prosa é a seguinte: "Depois do SIS ter confirmado nada ter feito."
Interessante, não é?
A própria demissão do assessor parece-me ter sido "forçada" pelo governo. É a minha aposta.
Foi nisto que deu a cooperação estratégica...
Um abraço!

10:57 PM  
Blogger john said...

Isso também me parece estranho, Ana. Mas podem simplesmente ser os serviços secretos portugueses em versão "tuga" e modo "Gato Fedorento":

PR: Então o SIS andou a espiolhar a presidência a mando do governo?

SIS: Não, claro que não.

PR: Ah, bom. Pronto, assim ficamos todos mais descansados.

Enfim. O que se sabe é que este mês de Setembro tem andado a cheirar demasiado mal.

Cumprimentos :)

3:26 PM  

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