O factor "C"
Amiguismo, compadrio, nepotismo - chamem-lhe o que quiserem. O país há anos que vive do "factor C". "C" de cunha, claro está, aquele familiar ou amigo que pode dar o emprego de que tanto se precisa, arranjar o alvará, conseguir a licença. Ou, pelo menos, poderá falar com as pessoas certas, poderá colocar o currículo X no topo da pilha com um pequeno post-it amarelo a destacar. Todos conhecemos alguém que chegou onde chegou não por mérito, mas por cunha. Serve para o sector público e para o sector privado. Afinal, para quê contratar alguém desconhecido quando fulano nos recomenda sicrano, que é bom moço, tem estudos e precisa de um emprego? É possível que haja melhor que ele, mas, que diabo, só o tempo e a maçada que se poupam no processo de selecção compensa. Para além de que dá sempre jeito ter alguém a dever um favor - nunca se sabe quando será necessário cobrar.
Esta cultura, claro, tem vários problemas. Durante anos, e com descaramento, o país funcionou assim (ainda funciona). Toda a gente sabe, toda a gente escarnece, mas ninguém liga. Ou parece ligar. Isto, naturalmente, tem efeitos perversos. Por vezes, aparece de facto um familiar, um amigo, um conhecido, que tem realmente as qualificações para aquele lugar, que será uma pessoa extremamente habilitada àquela função. Passa nas entrevistas e consegue o emprego. Já se sabe o que se seguirá - as suas qualificações serão irrelevantes, no seio da emprega e no mundo que gira à sua volta. Não conseguiu o emprego por ser bom para aquele trabalho, mas sim por conhecer fulano. É a filha da putice instalada.
john
Esta cultura, claro, tem vários problemas. Durante anos, e com descaramento, o país funcionou assim (ainda funciona). Toda a gente sabe, toda a gente escarnece, mas ninguém liga. Ou parece ligar. Isto, naturalmente, tem efeitos perversos. Por vezes, aparece de facto um familiar, um amigo, um conhecido, que tem realmente as qualificações para aquele lugar, que será uma pessoa extremamente habilitada àquela função. Passa nas entrevistas e consegue o emprego. Já se sabe o que se seguirá - as suas qualificações serão irrelevantes, no seio da emprega e no mundo que gira à sua volta. Não conseguiu o emprego por ser bom para aquele trabalho, mas sim por conhecer fulano. É a filha da putice instalada.
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