Coerência
Já escrevi sobre o tema até mais do que uma vez, mas o reacender da polémica - e este artigo de Helena Matos - faz-me voltar a ele. Naturalmente, um ateu convicto não pode celebrar o Natal, pois apesar do declínio do seu significado original, o Natal é, em si, uma festividade religiosa. Pouco importa se as pessoas o consideram "uma festa de família", uma "troca de prendas", ou simplesmente um dia livre de trabalho. Um ateu que proteste contra os crucifixos - e tem todo o direito de protestar - deve bater-se pelo fim dos feriados religiosos (e pontes, quando estas surgem), pelo fim das férias do Natal e da Páscoa. Leve-se o assunto ao Parlamento. E que, de uma penada, se acabe com o Natal, com o Carnaval, com a Sexta-feira Santa, com a Páscoa, com o Corpo de Deus, com a Assunção, com a Imaculada Conceição, e com os feriados locais dos patronos. Ah, e convém não esquecer o subsídio de Natal, aqueles trocos que dão sempre tanto jeito para comprar as prendas. Acabe-se também com o infame subsídio. Torno a dizer: defendam os laicos e os ateus isto com o mesmo fervor com que se batem contra os crucifixos nas escolas, e pelo menos eu respeitá-los-ei. Enquanto isso não acontecer, continuarão apenas a passar a imagem de "laicismo, sim, mas só quando convém". Haja coerência, se faz favor.
john
john









1 Comments:
Tens toda a razão.
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