1.12.09

The Resistance

Não é preciso dizer muito sobre o concerto dos Muse porque, enfim, são os Muse, meter aqueles três rapazes num palco dá invariavelmente espectáculo. E do bom. Este, diria, foi o melhor concerto a que já assisti deles.

Dá-se uma voltinha pela notícia e fórum da Blitz, a coisa mais parecida com uma revista de música que temos por cá, e fica-se parvo com alguns comentários. Bom, é a Blitz, e são os utilizadores do fórum da Blitz, pelo que temos de dar um desconto. Um deles queixava-se de na Newborn o vocalista não ter tocado os acordes iniciais no piano - esquecendo-se que isso foi deliberado, devido à estrutura toda que tinham no palco. Eu gosto muito da Newborn, já a vi três vezes ao vivo, as duas anteriores sempre com piano. E nunca - mas nunca - vi a música ser tocada com tanta energia como no domingo. Outro comentário queixava-se de uma setlist muito "previsível", com muitas músicas do álbum mais recente, The Resistance (que, dizem, é muito fraco) e nem uma do primeiro álbum. Eu também gostava disso; aliás, a minha música preferida da banda é do primeiro álbum (Showbiz), e gostava muito mas mesmo muito de a ver ao vivo. Mas não vai acontecer. Como provavelmente nunca verei os System of a Down tocarem a Highway Song, ou os Radiohead tocarem a Knives Out (para isto, claro, preciso de ver Radiohead, e isso anda difícil). É o que acontece quando as nossas músicas preferidas não são os singles. De resto, se uma banda está em digressão a promover o mais recente trabalho, é óbvio que vai tocar sobretudo músicas do novo álbum. E ainda bem que os Muse conseguem dar um concerto daqueles com músicas novas - é péssimo quando uma banda tem de recorrer aos êxitos antigos para dar um concerto decente.

No fundo, nem foi muito diferente do concerto que deram em 2006 no Campo Pequeno, quando apresentaram em Portugal o álbum Black Holes and Revelations. Com uma setlist de vinte músicas, tocaram oito desse álbum, cinco do Absolution, quatro do Origin of Symmetry, uma do Showbiz. Tocaram uma instrumental do Hullabaloo (Forced In) e fizeram um riff da I Want to Break Free, dos Queen. Agora, em dezoito músicas tocaram oito do novo álbum, quatro do Black Holes and Revelations, três do Absolution e três do Origin of Symmetry. É a vida. Noutro concerto, fora de uma tour de promoção de um álbum, também eu esperaria uma setlist mais arrojada (não num concerto como o do Rock In Rio do ano passado, onde tiveram apenas uma hora). No caso, foi a setlist pretendida - e, convenhamos, deu para duas horas espectaculares no Pavilhão Atlântico. Enfim, nunca se pode agradar a todos. Quanto a mim, valeu o bilhete, as horas de espera, e a molha.

john

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