Hype
Mas para que fique claro, eu não tenho nada contra o hype na música (expressão horrível, eu não tenho nada; as duplas negativas matam-me). Rigorosamente nada. Nem noutras coisas, aliás, apesar de, confesso, me fazer alguma confusão na literatura, mas creio que isso se deve ao facto de os meus géneros literários preferidos serem normalmente ignorados ou, pior, considerados coisas de nerds. Enfim, adiante. Hype. Não costuma interferir muito com os meus gostos, nem de uma forma ou de outra. Aquelas pessoas - todos os caros leitores certamente conhecerão alguém assim - gosta muito de uma banda mais ou menos obscura até que, num instante, algo acontece, essa banda explode (passe a expressão), e toda a gente fica a conhecer a sua música. Pior: toda a gente fica a gostar da música dessa banda, as rádios começam a passar o último single a cada duas horas, deixam de dar concertos a cada ano bissexto na Aula Magna, que é uma sala catita e muito boa, mas pequena, ou no Festival Sudoeste, que parece ser assim um bocado alternativo, para começarem a actuar no Pavilhão Atlântico em anos ímpares, e no Rock in Rio em anos pares. Por acaso, mas mesmo só por acaso (juro), o exemplo encaixa praticamente na perfeição nos Muse, uma das minhas bandas de eleição, que, imagine-se, cometeram o pecado de ceder os direitos de algumas das suas músicas à banda sonora de um filme tão merdoso como Twilight*, coisa que fez o Pavilhão Atlântico em Novembro registar a maior concentração possível de pitas por metro quadrado sem os Tokio Hotel por perto. Isto mata qualquer pseudo-alternativo, para quem a música só é boa se apenas meia dúzia de caramelos a ouvir, para passar a ser uma merda quando surge em letras garrafais em toda a parte, e em anúncios publicitários e o diabo a quatro. Até há sempre uma boa desculpa: tornaram-se "comerciais" (alguém me defina o conceito "música comercial", por favor), o último álbum não era grande coisa (por acaso é muito bom, mas não insisto), os antigos é que eram bons (e foram, mas há que evoluir). Enfim, há sempre uma boa desculpa. Para mim, o sucesso - e o hype - de uma banda é irrelevante, sobretudo quando é merecido (no exemplo que mencionei, é inteiramente merecido, e quem não acreditar vá amanhã à Bela Vista confirmar). Não gosto de Muse, ou de outra banda qualquer, por outras pessoas gostarem, como não me aquece nem me arrefece que mais trinta milhões de pessoas também gostem de ouvir a música que eu ouço todos os dias. Da mesma forma, quando não gosto de uma banda - acontece frequentemente - é simplesmente porque não gosto, e se por acaso essa banda está em hype (como os "the xx", por exemplo - ou, para dar um exemplo caseiro, o tal "b fachada"), bom, não faço particular gosto em ser do contra, mas terei de discordar da maioria. Enfim, acontece, não vem daqui mal nenhum ao mundo.
john
*procurem na internet a banda sonora do último filme da série Twilight. É muito boa (sem ironia, é mesmo).









2 Comments:
Isso dava uma bela conversa e poderemos tê-la um dia destes. Eu sou daqueles para os quais o número de pessoas que houve uma coisa influi no meu gosto. e posso explicar porquê...
Há-de surgir :)
Vamos lá ver. Eu não sou imune à influência dos outros. Ninguém é. E é verdade que por várias vezes reagi "contra" algumas formas de hype.Há mesmo fenómenos que não compreendo. Mas não me costuma incomodar por aí alem. Estava mesmo a pensar nos Muse, acho que são um excelente exemplo. De repente, viraram ídolos das "pitas", e não faltou (falta) que os ache uma merda. Não são, continuam a fazer excelentes músicas, e continuam a ser a melhor banda ao vivo que conheço.
E a propósito disso, estou cheio de pena de não os ir ver hoje. Mesmo sendo no Rock in Rio...
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