João, responder-te-ia assim:

É verdade que Portugal cresceu de 85 a 95. Mas também é verdade que tem um dos seus picos mais baixos, a meio de 93. Por isso, fico sempre nervoso quando se toma CS como um mito de genialidade económica. Assim não é. Nem quem veio a seguir destruiu a excelente governação de 85-95, nem a própria governação foi excelente. De todo.
Isto da economia é uma coisa bastante interactiva - se é que não é só isso. Mas já não é pouco. O crescimento económico de um país está dependente dos seus mercados comprarem os produtos que fazemos. Naturalmente nos anos 85-95 toda a europa estava eufórica e comprava tudo o que era vinho do porto e calçado. Assim é "fácil" crescer. Difícil é crescer quando ninguém tem dinheiro para comprar. Por isso é que comparações estritas são inúteis. E Cavaco está longe de ser um génio. Mesmo em Economia.
jtf









10 Comments:
Então faz sentido. Tens o "poço" no mandato do Soares, tens a recuperação com Cavaco, no primeiro mandato, e o declínio, no segundo; tens o lento declínio de Guterres; o buraco do nosso Durão; um momento insignificante de Santana (obviamente); e Sócrates. Subiu de forma até apreciável, para afundar logo de seguida.
De qualquer maneira, o gráfico continua a mostrar que o melhor momento foi o primeiro mandato do Cavaco, o que não deixa de ser muito curioso.
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João, não podes ver as coisas assim. Tens que colocar em cima disto a taxa de juro ou o crescimento dos mercados compradores. Senão é competição desigual. O crescimento económico de um país está ligado ao tempo e ao modo. Não podemos olhar para isto e ver o pico de cavaco no final do primeiro mandato. Economicamente é mais relevante a subida do fundo da última parte de Soares, do que o pico de Cavaco. Porque as bases são inferiores. Para além disso, o declive de queda maior é o de 93.
Certo, certo. Por isso é que tu estudaste Economia, e eu não. Obrigado pela explicação.
Só uma curiosidade: o afundanço e a "recuperação" do Soares não estão relacionadas com uma certa ocasião em que o FMI aterrou na Portela? Ou isso foi antes?
o FMI veio em 83. Mas o FMI actuou sobretudo sobre as contas públicas, não propriamente sobre o crescimento. Mas sim, foi no início do mandato do Soares. Repara que a queda começa antes. Resumindo: não nego o crescimento de 85 a 95. É um facto. Mas temos que ter em atenção a entrada na CEE e o crescimento na Europa. Isto leva a que a história não é justa para com CS. Faz dele muito melhor do que aquilo que efectivamente foi.
A História raramente é justa para quem quer que seja, João. Tantos anos depois e ainda não se dá o PREC nos programas do Secundário. Não podes esperar grande coisa da disciplina, pois não?
É verdade. Mas neste caso CS ainda está presente na vida política portuguesa. E, por vezes, parece-me que somos ingénuos suficientes para não ver quem quando CS fala de competitividade ou de contas públicas, também já lá esteve e o seu contributo foi profundamente igual ao dos seus sucessores e antecessores.
Não querendo desculpar Cavaco, pois tens razão no que dizes, a verdade é que a vida política portuguesa é assim mesmo: os políticos não se reformam após um ou dois mandatos; eles "andam por aí". Quando não regressam ao poder, ganham tacho; ou então, vão para a televisão, onde são promovidos a "paineleiros" (na feliz expressão do João Gonçalves). A renovação raramente existe.
Tens razão, João. (Errata: 1) no meu anterior comentário onde se lê "quem", deve ler-se "que"; 2) onde se lê "suficientes", deve ler-se "o suficiente")
Nós é que andamos a perder tempo, meu amigo. Devíamos era ir para a política. Numa década estávamos aviados. Depois era curtir, ir às televisões dizer banalidades, dar o nome a uma rua lá na terrinha. Isso é que era.
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