«A virgindade política» II
João,
(i) «Há vida para além do défice» faz todo o sentido. Aliás, nunca fez tanto sentido como agora;
(ii) Eu concordei - e ainda concordo - com a dissolução em 2005;
(iii) Não chego a perceber como é que a interpretação constitucional de Sampaio contribui especialmente para o «atoleiro em que estamos enfiados».
jtf









2 Comments:
1) Pois há. No entanto, dizer isso numa altura em que um Governo, bem ou mal, se esforça para o reduzir, a frase ganha contornos algo assassinos - ainda por cima vinda de onde vem.
2) Não concordo nem discordo. Simplesmente não a compreendo. Por raciocínio igual o primeiro governo de José Sócrates tinha tombado com estrondo;
3) Não é apenas a interpretação constitucional do Sampaio. Que me lembre, Sampaio também foi PR durante o tempo das "vacas gordas" que Guterres tão bem ordenhou. No entanto, só lhe ocorreu falar do défice depois. Ou Sampaio andava a pairar imaculado e só aterrou no palácio de Belém quando o PSD e o CDS formaram governo?
4) Também reconheço que o grande culpado do disparate de 2005 foi Santana Lopes. Ele jamais devia ter formado governo. Se o tivesse feito, Sampaio teria uma bela bota para descalçar. Mas quando se junta a forme à vontade de comer...
Camarada,
1) Cavaco Silva, esse vulto da macroeconomia moderna, também disse que «há limites para os sacrifícios». Nessa perspectiva, parece-me bem mais assassino porque não dá os contornos de redistribuição da riqueza que a frase de Sampaio ainda comporta;
2) Eu compreendo-a, mas talvez demore muito a minha explicação para ela. Basicamente, a mudança de governo com a mesma base parlamentar deveria ser um acto corrente e - relativamente - normal, no funcionamento do sistema. A decisão posterior de dissolução está compreendida no texto constitucional vigente;
2.1) Não percebo a comparação com o primeiro governo de Sócrates. Se fosse o segundo ainda percebia a comparação;
3) O PR não tem responsabilidade na distribuição da carne que conseguirmos com as vacas;
3.1) Em minha opinião, o problema português não é o défice. O problema é muito mais a montante, na minha visão;
3.2) Sampaio «andou muito bem» até Durão achar piada à chuvinha de Bruxelas;
4) Se Santana não aceitasse formar Governo, restaria a Sampaio perguntar ao PSD se indicava mais alguém para formar governo e, em caso negativo, convocar logo eleições. A bota não era muito difícil de descalçar.
Abraço,
jtf
Post a Comment
<< Home