21.10.11

Ministério da Inexistência

Álvaro Santos Pereira parece-me bom tipo. Era bem capaz de lhe comprar um carro, ou de lhe apresentar uma prima distante em idade casadoira. Tem o tipo de postura bonacheirona e agradavelmente inconsequente que apraz ter por perto naquelas jantaradas que se prolongam noite dentro, e que acabam invariavelmente em dolorosas ressacas. Álvaro - acho que o posso tratar assim - está para qualquer governo como aqueles jogadores de futebol sem o mínimo de talento para a coisa, que nos fazem invariavelmente pensar que, com um pouco mais de sorte, também nós podíamos pisar um relvado. O mesmo é dizer: Álvaro é um de nós. Percebe pouco de governação e não tem qualquer pose de estado. Em compensação, tem sempre uma palavra amiga. Sabe que não há dinheiro, mas acredita em novas auto-estradas e investimentos públicos. Sabe que o Estado se vai retirar da economia, mas sempre se hão de arranjar uns subsídios para umas "cenas". Por tudo isto, Álvaro merecia mais que a mera "pasta da inexistência". Criem - finalmente - o ministério do nacional porreirismo, e entreguem-no a este homem. Se caminhamos para o abismo, ao menos que seja a rir!

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