16.12.11

Pessoa '11

De forma grosseira, Portugal tem-se tornado um infiel e errático depositário das mentes que fizeram o passado, das que fazem o presente e das que farão o futuro que ainda nos restar em sorte. Com relativa frequência nos apagamos das memórias e da memória, sem que isso implique o mínimo de ardor, comichão ou o mais módico dos pudores. Justa e injustamente, elevamos passados longínquos, relegando para enésimo plano alguns dos que, por fortuna dos deuses, connosco partilham a contemporaneidade. Este labirinto da saudade é, por si só, um mapa orográfico da portugalidade, da utopia-constante, do medo de existir. É justo que nos verguemos perante Eduardo Lourenço e tudo quanto inscreveu, a giz, na História de Portugal. E não apenas do pensamento e da literatura portuguesa. De São Pedro do Rio Seco para a eternidade.

jtf

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