8.1.12

E depois?...

E depois da crise, que nos vai acontecer?
O Primeiro Ministro dizia há dias, no debate quinzenal da Assembleia da República, que o ano de 2012 seria um ano de grandes exigências, mas que marcaria o início da retoma económica. Ele lá saberá uma vez que é economista. Eu não sou, por isso não discuto (agora, pelo menos...).
A minha questão é outra neste momento.
É um facto que as pessoas neste país estão, por força das circunstâncias, a ter que se adaptar a um estilo de vida mais... frugal (à falta de melhor eufemismo). Sim, é isso - frugal!
As pessoas que não se deixaram cair nas tentações bancárias que anunciavam os jardins das delícias feitas com dinheiro barato e que, na altura foram acusadas de terem visões curtas e de não quererem providenciar às suas proles os melhores confortos - por, simplesmente, não se quererem endividar - conseguem fazer alguma coisa com o pouco que lhes sobra depois do Sr. Fisco bater à porta vestido de fraque e com um pé-de-cabra na mão.
(Re)Aprenderam a fazer coisas com as suas próprias mãos desajeitadas.
O marido decidiu fazer a revisão ao carro - que é velhinho, mas fiável e tem pinta - na garagem (para deleite do administrador de condomínio que já não sabe o que fazer com as manchas de óleo); a mulher decidiu fazer os cachecóis e as camisolas que picam e que não assentam lá muito bem no corpo. Mas fazem - e tiram prazer disso. Compraram bicicletas e vão para o emprego montados nos seus corcéis mecânicos. E chegam ao fim do mês com a satisfação de que não devem nada a ninguém e que estão mais saudáveis e felizes, apesar das comichões que as camisolas provocam. Sobretudo, chegam ao final do mês com a certeza de que aprenderam alguma coisa.
Mas as pessoas que se deixaram cair nas tentações e acharam que mereciam aquele sofá "chateau-d'ax" e que cairam na esparrela do crédito à habitação estão a tinir. E não sabem o que fazer, nem como fazer...
Não louvo uns e condeno outros. Cada um foi livre de fazer o que entendeu com as informações que tinha e nas condições que detinha.
A minha preocupação é outra. O que vai acontecer quando a retoma económica acontecer e entrarmos num novo ciclo de crescimento?
O casal das camisolas que picam aprendeu a fazer o que podia com pouco e vai conseguir "crescer" em termos financeiros porque cresceu em termos de auto-suficiência.
O casal das fotografias tiradas em Cancun no Verão de 1998 vai respirar de alívio. E marchar directamente para a agência de viagens para marcar uma viagem para Bora-Bora - porque a vida foi dura e merecem este presentinho... e assim se retoma o ciclo e se prepara uma nova "bolha" que, mais cedo ou mais tarde, vai rebentar novamente.
Moral da história?
De que nos serve tudo isto, todo o sacrifício se não aprendemos nada entretanto? A não-aprendizagem das lições que a vida nos ensina é a certeza de que os erros fatais do passado se voltarão a cometer no futuro. As crises são duras para (quase...) todos. Mas a vida também o é. E a escola também. Se não aprendermos nada, se não aproveitarmos as oportunidades para aprender não vamos evoluir, não nos vamos conseguir emancipar e libertar dos grilhões que alguém - porque haverá sempre alguém... - nos quer meter.

fp

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