Mi(ni)stério #1
Já era esperada a saída do ministro da saúde mais tarde ou mais cedo. Incorporo, constantemente, a papel do advogado do diabo, e faço-o com inequívoco prazer. Uma vez que acredito naquilo que defendo e, neste caso, defendo o ministro. Bem sei que é um papel difícil e solitário, mas a beleza da liberdade de expressão reside precisamente aqui. Todas as iniciativas reformistas desta legislatura me pareceram razoavelmente acertadas e sensatas. Tanto o fecho de algumas maternidades, como o fecho de alguns sap, que nunca urgências foram. Começando por este último, (i) é-me completamente incompreensível como é que líderes autárquicos locais maniupulam povo desinformado como rebanhos de cabras. Organizam manifestações repugnantes utilizando a ignorância alheia, para depois, meses mais tarde, virem a concordar com o ministro assinando protocolos no que respeita a urgências médicas. Acresce o facto de que em quase todas as localidades em que se encerraram serviços médicos nunca existiram urgências, pelo que, gritar "queremos a nossa urgência de volta" me parece abominável. Ora, o povo manifestante gritou este tipo de frases porque ninguém teve a honestidade de lhes explicar que nunca tiveram urgência antes. E esta tarefa devia estar a cargo dos presidentes de Camara e não só do Ministro. Infelizmente, os autarcas aproveitaram esta oportunidade para mobilizar os seus eleitores em seu torno, corporizando uma luta inexistente e profundamente lamentável; (ii) o caso das maternindas é ainda mais deprimente, quando o principal partido da oposição (pela voz de Fernando Negrão) exprime um dos mais lamentáveis argumentos saídos de uma cabeça humana. Foi dito, na altura, que o fecho da sala de partos em Elvas era umas questão patriótica. Eu vou-me coibir de explicar o ridículo do argumento. Voltarei a este assunto em breve.
jtf
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1 Comments:
O problema é precisamente esse, João: foram tomadas medidas que têm impacto na vida das pessoas sem lhes ser explicado o porquê dessas medidas. Elas podem ser acertadas, mas isso não é evidente. O Governo atingiu um nível de autismo político preocupante. A queda de Correia de Campos não surpreende.
Nem a da ministra da cultura, claro.
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