13.1.08

Tenho dúvidas existenciais

Tenho dúvidas existenciais, admito. A minha vida está cheia delas. Numa esquina, numa parede, num jardim, dentro de um carro, em locais totalmente banais. Assolam-me, quase diariamente, ao acordar de sonhos inquietos ou à noite tentando sonhos descansados e dispersos. Interrompem os meus pensamentos e divagações interiores, espalham-se qual sinal nervoso por este corpo que há muito procura razões, sinais divinos, fumo branco no sopro do vento ou mesmo o Encoberto que revele o Quinto Império a mim destinado, se é que o destino conta ou pode ser contado. Mas uma coisa é certa, não me posso queixar! São estas dúvidas que apimentam a minha vida, enquanto eu as tento resolver. E é por cada vez mais me aparecerem estas dúvidas, cada vez mais sem solução aparente, que a minha vida vai ganhando alguma emoção. Se, algum dia, me perguntarem como defino a minha própria existência, da minha boca apenas ouvirão: um livro dos porquês.
E como acaba por ser cruel o tempo! Quanto mais ele passa, mais curta é a vida e, por outro lado, mais longa a lista de questões. Mas não me importo! Cada lágrima de desespero ou sorriso de euforia guardo com afinco nas gavetas do tempo, espremo a vontade que perpassa no meu peito e assim elas se mantêm vivas, não vá precisar de tais recordações para resolver alguma dúvida futura. É por estas incertezas me vou conhecendo, tentando saber quem sou e por que vagueio por aqui. É pelas minhas dúvidas existenciais que consigo viver.

Duvido, logo existo.

(um pequeno texto arrumado nas gavetas do meu quarto)
F.S.

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