14.2.08

14 de Fevereiro

14 de Fevereiro de 2008.
O dia em si nada me diz. Nada. Juras de amor, sorrisos dos comerciantes a contar as notinhas de euros, corações afixados aqui e ali, cor-de-rosa e encarnado pintando as montras de certos estabelecimentos, no fim de contas acontecimentos irrelevantes, mas que acabam por distrair as dioptrias das lentes dos meus óculos, já que nos olhos pouco confio. Não fosse este pequeno desvio na normalidade diária de Viseu e eu nem saberia que era S. Valentim. Porém, há uns anos para cá, um ritual neste dia começa a ser banalidade.
Isto porque ter uma irmã gémea tem muito que se lhe diga (se bem que de gémeos temos pouco, na barriga da minha mãe as coisas foram mal divididas, não houve imparcialidade, a quota que recebi de aspecto físico deixa muito a desejar quando se olha para mim e de seguida para a minha irmã). O que se passa, passando à frente pormenores da minha vida que a ninguém deve interessar, é que hoje o ritual celebrou-se novamente. Quatro e meia da tarde vou eu com a minha irmã, como um bom irmão levando-lhe as malas até à estação, Coimbra o destino dela. Pouco antes de lá chegar, na zona do fórum Viseu, um grupo de rapazes mais velhos que nós com ar de engraçadotes, e um deles vira-se, mirando as malas que eu levava nas mãos:
- Isso é que é uma prenda aí para a namorada!
Pela nona ou décima vez em pouco mais de dezoito anos passo por namorado da minha irmã. E atenção que eu não me queixo. O verdadeiro namorado dela é que não deve achar piada.
F.S.

2 Comments:

Blogger João Campos said...

O verdadeiro namorado dela fica aliviado. Enquanto só te confundirem a ti, caro Carlos Eduardo da Maia (lol), ao namorado da tua mana, ele pode ficar descansado.

Pelo menos eu pensaria assim, sei lá ;)

5:40 PM  
Blogger fábio videira santos said...

Mas eu também penso assim. Tenho é de perguntar ao dito namorado da minha mana o que acha deste "incesto", não vá eu um dia conhecer o punho dele de uma maneira pouco suave :D

8:34 PM  

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