11.2.08

liberais e conservadores

há por aí uma tremenda confusão sobre os conceitos de "liberal" e "conservador". sobretudo entre as pessoas das minhas idades. conheço muitos meninos e muitas meninas bem-pensantes que se afirmam como "liberais" - julgando, na sua inocência, que ser liberal é apoiar a interrupção voluntária da gravidez, a despenalização das drogas leves e outras causas nobres que fazem a agenda mediática (e do bloco de esquerda, já agora). e há aquela imagem indelével de que um "conservador" tem necessariamente de ser uma criatura retrógada, agarrado ao passado, com medo do "progresso", que luta para voltar a um tempo já ido.
sucede que ambas as ideias estão francamente erradas. ser-se liberal nada tem que ver com essas grandes causas. não li os grandes teóricos (ando em falta, isso está agendado), mas creio passar essencialmente por uma cultura de individualismo, de querer fazer a sua vida sem grande interferência externa (sobretudo do estado), de respeito para com as liberdades, de não pretender impor nenhuma "verdade" a ninguém. e não, isso não implica o relativismo que vivemos hoje em dia. já um conservador não é nenhum dinossauro. é, sim, alguém que preza uma certa ordem das coisas, alguns valores - e, no presente, alguém que vê os seus valores fundamentais ameaçados. é curioso como esses valores podem ser francamente liberais.
liberalismo e conservadorismo não são correntes opostas, por estranho que possa parecer. mas há aí pela blogosfera óptimos textos sobre o assunto, escritos por gente com muitos maiores conhecimentos teóricos (e práticos) do que eu. valem a pena, certamente.
jc

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