O Bruno Sena Martins que me perdoe, mas tenho de transcrever o seguinte texto do (excelente) blogue dele:
Percebo 4 modalidades de distância crítica em relação ao dia dos namorados:
1- A ideológica. É uma invenção capitalista, uma tradição inventada a que só se adere por cumplicidade com a pressão celebratória (e consumista) estabelecida sobre as relações ("é nestes dias que não namorar é uma coisa boa"; "mais valem as datas patrimoniais do casal do que o 14/02").
2- O frete. É uma data estúpida, mas não a comemorar de todo implica um statement demasiado arriscado.
a) Porque podia haver ressentimentos mais ou menos calados dentro da relação (sem a prendinha ou o jantarinho ela ia amuar, ele ia amuar);
b) Porque não há forma de ignorar a vigilância estabelecida sobre os sinais exteriores de romantismo ("o que é que eu ia dizer às minhas amigas?").
3- A inveja. O amor celebrado em todas as esquinas fere a solidão dos solitários que, assim, disfarçam a inveja de distância ideológica.
4- A coerência. Haveria a vontade para a celebração, mas "depois de anos sozinho a falar mal do dia dos namorados, seria ridículo, agora que namoro, fazer as figuras antes escarneci".
Subscrevo todas, excepto talvez a primeira - apesar de concordar que o aniversário de uma relação é mais importante. Não sei ao certo se encaixo em alguma destas categorias - talvez encaixe na terceira, em parte; mas certamente virei a encaixar na quarta, e nesse dia estarei metido numa alhada. Mas voltarei ao tema um dia destes. Em princípio.
john
(Entretanto, a minha amiga Nomyia já abriu as hostilidades. Isto vai ser divertido, este ano.)
0 Comments:
Post a Comment
<< Home