Gosto do anti-americanismo
Sem ironia. Gosto do anti-americanismo. Gosto de ver pessoas afirmarem "não gosto dos Estados Unidos" como quem diz "não gosto de comer cozido à portuguesa". Normalmente não há motivo para isto. Ou até há, e quando de começa a puxar pela língua destas pessoas, a única coisa que efectivamente sobressai é uma profunda ignorância. Até compreendo a ignorância: a cultura americana é mais do que aquilo que apanhamos em filmes e séries.
A ironia do anti-americanismo é que os seus devotos mais fiéis e fervorosos não conseguem compreender a profunda contradição em que se enfiam sempre que falam do assunto. Os mesmos que manifestam um ódio quase visceral aos Estados Unidos são frequentemente aqueles que todos os dias consomem avidamente a cultura americana. Vão ao cinema ver filmes americanos. Vibram com os Óscares. Seguem séries americanas na televisão. Ouvem bandas americanas, e vão aos seus concertos. Comem no MacDonalds e noutras cadeias de fast-food norte-americanas. Mas não gostam dos Estados Unidos. Alguns dizem "não gosto da sua cultura", o que é irónico quando lhes abrem a porta diariamente. Outros dizem que não gostam dos seus valores, quando nem sabem ao certo quais são os valores americanos. Gosto destas contradições. Revelam mais uma questão de fé do que uma questão racional. Num caso particular que conheço, isto em si é (mais) uma deliciosa contradição: questões de fé e ateísmo não são duas coisas que normalmente encaixem numa mesma frase em a adversativa "mas" (ou outra qualquer).
john
A ironia do anti-americanismo é que os seus devotos mais fiéis e fervorosos não conseguem compreender a profunda contradição em que se enfiam sempre que falam do assunto. Os mesmos que manifestam um ódio quase visceral aos Estados Unidos são frequentemente aqueles que todos os dias consomem avidamente a cultura americana. Vão ao cinema ver filmes americanos. Vibram com os Óscares. Seguem séries americanas na televisão. Ouvem bandas americanas, e vão aos seus concertos. Comem no MacDonalds e noutras cadeias de fast-food norte-americanas. Mas não gostam dos Estados Unidos. Alguns dizem "não gosto da sua cultura", o que é irónico quando lhes abrem a porta diariamente. Outros dizem que não gostam dos seus valores, quando nem sabem ao certo quais são os valores americanos. Gosto destas contradições. Revelam mais uma questão de fé do que uma questão racional. Num caso particular que conheço, isto em si é (mais) uma deliciosa contradição: questões de fé e ateísmo não são duas coisas que normalmente encaixem numa mesma frase em a adversativa "mas" (ou outra qualquer).
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