7.2.09

Humanos, variações e outras coisas que fazem a vida



Humanos, Humanos, 2004


"A Teia"
"Quero É Viver"
"Muda De Vida"
"Na Lama"
"A Culpa É Da Vontade"
"Maria Albertina"
"Rugas"
"Gelado De Verão"
"Amor De Conserva"
"Já Não Sou Quem Era"
"Não Me Consumas"
"Adeus Que Me Vou Embora"




Deu-me para voltar a ouvir este álbum, uma homenagem feita a António Variações (1944-1984) na passagem dos vinte anos após a sua morte, mas que nada tem que ver com os normais discos de tributo em que inúmeros músicos se juntam para recordar conhecidas canções de artistas que marcaram gerações. O que neste caso se fez foi diferente, e para melhor.
A história é conhecida: quando António Variações faleceu (ainda antes de completar 40 anos e com dois álbuns editados: Anjo da Guarda (1983) e Dar e Receber (1984)) especulou-se que haveria muitas cassetes gravadas pelo próprio plenas de músicas que nunca chegou a editar. De facto, essas cassetes existiam e o irmão de António Variações, que ficou com a tarefa de recolher e gerir os bens pessoais do cantor, entregou, em meados dos anos noventa, as ditas ao amigo e director na altura da EMI- Valentim de Carvalho, David Ferreira. Essas cassetes, cheias de gravações amadoras em que Variações ora cantava acompanhado por uma caixa de ritmos, ora por guitarra, ou mesmo somente usando a sua voz, possuíam muitas faixas inéditas.
E a inovação que referi no início foi feita na altura de se proceder à composição das músicas. Em vez de se avançar para o padrão de álbum tributo, convocou-se um leque de músicos reputados: na voz - Camané, Manuela Azevedo (Clã) e David Fonseca; nos instrumenos- Hélder Gonçalves (Clã) e ainda, pelo que me diz a wikipedia, Nuno Rafael, João Cardoso (Bunnyranch) e Sérgio Nascimento. Apareceram, assim, os Humanos. Estes assumiram a responsabilidade de recriar estas músicas no célebre sentido do compositor original: um som que fizesse a ponte entre Braga e Nova Iorque.
E conseguiram. A voz de Manuela Azevedo (talvez o bom som cosmopolita de Nova Iorque), Camané (som típico português) e David Fonseca (irreverência e frescura) associam-se muito bem com as melodias, dando-lhes um revivalismo sem esquecer o cunho inconfundível de António Variações.
Era para ser um disco de homenagem ao cantor. Não só o fizeram como acabaram por criar o seu terceiro álbum e, sem qualquer dúvida, um dos melhores discos da música de língua portuguesa.




fs

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