A música de um micróbio.
nota #1: este texto foi originalmente escrito e publicado no meu blogue individual. Isto é uma tradução, que, para variar, ficou melhor que o original.
nota #2: no seguimento de uma conversa ali abaixo, deixo este texto ao Fábio - se tiveres pachorra para o leres todo, claro! Irra, que me estiquei hoje.
Não é segredo para ninguém que leia este blogue de vez em quando que as minhas bandas preferidas são os Radiohead e os Muse. É certo que gosto de um bom heavy metal, de preferência com um bom moshpit (já viram o cartaz do primeiro dia do Alive? O INEM vai bulir bem na noite de nove de Julho.), e a música dos anos setenta e oitenta cada vez entra mais aqui na minha caixinha de música. Mas Muse e Radiohead são definitivamente os meus favoritos: os Muse são simplesmente a melhor banda que já vi ao vivo e os Radiohead... bom, não têm comparação no que toca à escrita e composição de músicas.
Esta minha preferência não é por acaso, sobretudo se pensar que ao longo dos anos as minhas bandas preferidas oscilaram (sim, elas oscilam) entre Oasis, Smashing Pumpkins, Linkin Park e System of a Down - não necessariamente por esta ordem. Ainda gosto de todas estas bandas, claro. Mas os tempos mudam, e com eles, os gostos. A primeira música que ouvi de Radiohead foi, como não podia deixar de ser, Creep (do seu primeiro álbum, Pablo Honey). É claro que adorei a música: ouvi-a nos finais dos anos noventa, devia ter para aí treze, catorze anos, e não passava de um adolescente secretamente depressivo (agora sou um jovem adulto secretamente depressivo, mas não entremos por aí). Era por isso natural que músicas como Creep ou Karma Police ficassem no ouvido para não mais saírem. Elas simplesmente encaixavam. Depois ouvi outras, claro - Dollars and Cents, que detestei ao início, assim como I Might Be Wrong (curioso: só hoje percebi o quanto gosto desta música, e o quanto ela se adequa...). Lembro-me de ter ouvido na rádio pela primeira vez a Knives Out, e de ela se ter tornado na minha música preferida deles, apesar de só recentemente ter descoberto o nome do raio da música. Lembro-me de ter fodido ao som da No Surprises, o que pode parecer estranho por ser uma música tão melancólica, mas... E lembro-me de ouvir mais uma ou duas que tinha aqui espalhadas no computador. Até Julho, quando um colega de trabalho (obrigado, Raimundo!) me ter emprestado a discografia completa deles, EPs incluídos, para eu copiar. Hail to the Thief - literalmente! Hei-de compensar, e comprar todos os álbums, EPs, singles, e mais uma ou duas coisas que apareçam, excepto toques de telemóvel porque não uso, mas por agora quero desfrutar disto, se não se importam. E aproveito para dizer: uma das coisas que mais aprecio nos Radiohead é o facto de compreender que a sua música realmente evoluiu. Essa evolução é clara: Pablo Honey foi um bom álbum para começar; The Bends já é consideravelmente melhor; OK Computer é extraordinário, e porventura terá sido para muita gente inultrapassável. Até ao Kid A, claro, e por aí fora, até ao glorioso ano passado quando lançaram o duplo - e brilhante - In Rainbows na Internet e fizeram a indústria discográfica ter suores frios. Musicalmente falando, nota-se que cada álbum é mais elaborado que o anterior, que as letras são um bocadinho diferentes, que estão a fazer mais maluquices. Sim, para mim, o In Rainbows é o melhor álbum de Radiohead, apesar de o meu preferido (são coisas diferentes, note-se) ser de longe o Amnesiac.
Pode-se dizer o mesmo dos Muse se ouvirmos os seus álbuns com um mínimo de atenção, de Showbiz a Black Holes and Revelations (sem esquecermos os lados-b de Hullabaloo, com músicas melhores do que alguns singles). Há uma evolução clara, e é interessante perceber isso a ouvir. Mas a minha relação, por assim dizer, com os Muse é diferente: vi-os ao vivo em 2004, quando fui ao Super Bock Super Rock para ver Linkin Park. E se bem me lembro, ao primeiro minuto de Apocalypse Please já eu me tinha rendido incondicionalmente. Já Time Is Running Out e Butterflies and Hurricanes foram uma espécie de "orgasmo" musical. Foi impressionante. Nunca eu tinha visto nada assim. Antes do concerto, conhecia apenas duas músicas, mas passado pouco tempo já eu ouvia a discografia deles. Entretanto, vi-os mais duas vezes ao vivo, sempre formidáveis em palco. Não creio que eles conseguissem dar um mau concerto, ainda que o quisessem fazer.
De qualquer maneira, não vale a pena desafiá-los.
Outra coisa que aco curiosa relativamente a Muse é que - e tenho quase a certeza de que estou certo, adorava perguntar-lhes - cada álbum deles tem uma música especialmente concebida para abrirem os concertos, e outra para os fecharem. Respectivamente: o Showbiz tinha Uno e Showbiz; o Origin of Symmetry tinha Newborn e Plug In Baby; o Absolution tinha Apocalypse Please e Stockholme Syndrome; e Black Holes and Revelations tem Take a Bow e Knights of Cydonia. A ordem destas duas foi invertida nos últimos concertos, e o resultado foi extremamente bom.
Infelizmente, ainda não vi os Radiohead ao vivo. Acho que quando eles estiveram em Portugal pela última vez ainda eu não vivia em Lisboa. Continuo, portanto, à espera. Entretanto, vou ouvindo músicas deles quase diariamente, e todos os dias descubro alguma coisa nova: uma música particularmente boa à qual não tinha prestado a devida atenção, algum detalhe que me tinha escapado, uma letra que me diz realmente alguma coisa. acontece quase todos os dias. acreditem: actualmente, os melhores momentos diários que tenho são as duas horas que passo em transportes públicos a ouvir o Thom Yorke. Ou o Matthew Bellamy. Deus os guarde, deus os guarde (e os traga de volta um dia destes).









3 Comments:
Tinha acabado de ler este texto no teu blogue e pensado: "isto fica muito bem no jardim no seguimento da nossa conversa".
Chego aqui e ele já cá está.
Sorri.
Sabes o que é, o jornalista tem de saber corresponder às expectativas do público *cough cough*
Na verdade, achei que o texto devia ser traduzido assim que o publiquei lá. Quem me lê regularmente (vá lá, não são muitos) deve pensar: que raio, mas este gajo não fala de outra coisa? Se conseguisse ir a Inglaterra ver os Magazine, falaria...
Curioso: vou ao Youtube procurar o vídeo de uma música dos Radiohead para um futuro post no thoughs in chaos e deparo-me, na caixa de comentários do dito vídeo, com uma discussão precisamente sobre a evolução musical deles desde o primeiro álbum.
Amanhã será um dia interessante :)
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