Uma opinião bem formulada...
... sobre o caso que nos tem animado por aqui: Eduardo Cintra Torres, no Público.
Este texto de ECT acaba por não ser tanto sobre a situação em si, mas sobre o envolvimento da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC). Mas este envolvimento acaba por ser muito interessante. E pergunto: é admissível que a "comunicação" seja "regulada" por uma entidade cujos membros são nomeados pela Assembleia da República? Ou não será isto uma intromissão absolutamente intolerável do poder político - seja de que cor for - na actividade jornalística?
Num país como deve ser, nenhuma "Entidade Reguladora da Comunicação" seria necessária - Mais ou menos opinativo, mais ou menos "tablóide", mais ou menos sensacionalista (em democracia há espaço para tudo), o jornalismo existiria com várias formas, e acima de tudo, sem medo de confronto. Os abusos, como quaisquer abusos de quaisquer cidadãos, seriam julgados nos tribunais. Simples.
Claro que, num país decente, muita coisa teria também de mudar no jornalismo. Ao invés de haver um sindicato, a "comissão da carteira" e mais não-sei-o-quê, haveria uma Ordem. Sim, uma Ordem. Tal como os médicos, os engenheiros, os advogados, os enfermeiros e tantas outras profissões têm. Isto, por um lado, tornaria absolutamente transparente o acesso à profissionalização dos novos jornalistas - um processo que, enfim, presta-se a uma burocracia ridícula. Seria a Ordem que teria a responsabilidade de zelar pelos interesses jornalísticos, e por assegurar o cumprimento dos deveres profissionais e deontológicos dos seus profissionais. Seria à Ordem que caberia a tarefa, por exemplo, de colocar um ponto final na badalhoquice dos "estágios não-remunerados" - e não deixa de ser interessante que não se vêem jornalistas, órgãos de comunicação social ou mesmo o Sindicato ou a Comissão da Carteira a protestar contra esta situação (porque será?). Também caberia à Ordem, creio, certificar os cursos de Jornalismo/Comunicação Social, e consequentemente, o acesso à profissão.
Mas voltarei ao tema noutro dia, para regressar agora à ERC. Pois bem, temos a ERC, que faz um julgamentozinho sumário do Jornal das Sextas da TVI. Nem foi um frete: perdoem-me o vernáculo, caros leitores, mas aquilo foi um blowjob. Diz-se que a Manuela Moura Guedes promove julgamentos na TVI? Então vejamos como ECT termina a sua peça:
"(...) o membro do Conselho Regulador que votou contra a deliberação afirma que os ofícios que a ERC enviou à TVI “contêm afirmações genéricas e abstractas, o que impossibilitou o operador de contraditar os factos que lhe foram atribuídos" (PÚBLICO online, 28.05). “Houve desrespeito do princípio do contraditório”, afirma. Isto é, poderemos estar perante um caso de desonestidade processual."
Donde se torna legítimo perguntar: quem é a ERC para vir falar de ética ou de deontologia?
john
Este texto de ECT acaba por não ser tanto sobre a situação em si, mas sobre o envolvimento da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC). Mas este envolvimento acaba por ser muito interessante. E pergunto: é admissível que a "comunicação" seja "regulada" por uma entidade cujos membros são nomeados pela Assembleia da República? Ou não será isto uma intromissão absolutamente intolerável do poder político - seja de que cor for - na actividade jornalística?
Num país como deve ser, nenhuma "Entidade Reguladora da Comunicação" seria necessária - Mais ou menos opinativo, mais ou menos "tablóide", mais ou menos sensacionalista (em democracia há espaço para tudo), o jornalismo existiria com várias formas, e acima de tudo, sem medo de confronto. Os abusos, como quaisquer abusos de quaisquer cidadãos, seriam julgados nos tribunais. Simples.
Claro que, num país decente, muita coisa teria também de mudar no jornalismo. Ao invés de haver um sindicato, a "comissão da carteira" e mais não-sei-o-quê, haveria uma Ordem. Sim, uma Ordem. Tal como os médicos, os engenheiros, os advogados, os enfermeiros e tantas outras profissões têm. Isto, por um lado, tornaria absolutamente transparente o acesso à profissionalização dos novos jornalistas - um processo que, enfim, presta-se a uma burocracia ridícula. Seria a Ordem que teria a responsabilidade de zelar pelos interesses jornalísticos, e por assegurar o cumprimento dos deveres profissionais e deontológicos dos seus profissionais. Seria à Ordem que caberia a tarefa, por exemplo, de colocar um ponto final na badalhoquice dos "estágios não-remunerados" - e não deixa de ser interessante que não se vêem jornalistas, órgãos de comunicação social ou mesmo o Sindicato ou a Comissão da Carteira a protestar contra esta situação (porque será?). Também caberia à Ordem, creio, certificar os cursos de Jornalismo/Comunicação Social, e consequentemente, o acesso à profissão.
Mas voltarei ao tema noutro dia, para regressar agora à ERC. Pois bem, temos a ERC, que faz um julgamentozinho sumário do Jornal das Sextas da TVI. Nem foi um frete: perdoem-me o vernáculo, caros leitores, mas aquilo foi um blowjob. Diz-se que a Manuela Moura Guedes promove julgamentos na TVI? Então vejamos como ECT termina a sua peça:
"(...) o membro do Conselho Regulador que votou contra a deliberação afirma que os ofícios que a ERC enviou à TVI “contêm afirmações genéricas e abstractas, o que impossibilitou o operador de contraditar os factos que lhe foram atribuídos" (PÚBLICO online, 28.05). “Houve desrespeito do princípio do contraditório”, afirma. Isto é, poderemos estar perante um caso de desonestidade processual."
Donde se torna legítimo perguntar: quem é a ERC para vir falar de ética ou de deontologia?
john









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