28.8.09

Ainda a ferrovia

Há, na ferrovia nacional, outro detalhe interessante (vários, até, mas tentarei não dispersar demasiado). Actualmente, existem duas grandes alternativas ferroviárias para as regiões litorais* de Portugal: o Alfa Pendular e o Intercidades. Entre Santa Apolónia (Lisboa) e Campanhã (Porto) o Alfa leva duas horas e quarenta e quatro minutos, enquanto o Intercidades leva três horas e nove minutos. A viagem no primeiro em segunda classe custa 27,50 euros, enquanto no segundo, a mesma viagem em segunda classe custa 19,50 euros. Dito de outra forma: quem optar pelo Alfa Pendular entre Lisboa e Porto paga mais oito (8) euros para ganhar apenas vinte e cinco (25) minutos. É bom de ver que não compensa. Mas por que acontece isto? Um palpite: o Alfa - que, não sendo um comboio de alta velocidade, é um comboio de velocidade superior aos velhinhos e confortáveis Intercidades - faz demasiadas paragens. Parte de Santa Apolónia em Lisboa-Oriente, em Coimbra B, Aveiro,Vila Nova de Gaia e Campanhã. Parece-me demasiado para um comboio desta natureza, que, imagino (e estou apenas a imaginar mesmo), deve ser útil para ligar pontos distantes - um percurso Faro - Lisboa-Oriente - Campanhã, numa linha própria (há este problema também) seria porventura a solução ideal. Note-se que, entre Lisboa-Oriente e Faro, o Alfa ganha ao Intercidades entre 45 minutos e uma hora, com a diferença de preços em segunda classe a ser de apenas um euro e meio. E faz sete paragens - Lisboa-Oriente, Lisboa-Entrecampos, Pragal, Pinhal Novo, Tunes, Albufeira, Faro, numa linha que a Sul do Pinhal Novo nunca é dupla. O Alentejo é esquecido neste trajecto, o que apesar de ser alentejano, não me choca.

Mas tudo isto, incialmente, estava integrado no meu post anterior sobre o TGV, opção que me deixa uma dúvida: a ideia de fazer o TGV é para ligar cidades distantes numa linha própria que lhe permita optimizar a sua velocidade, ou é para ligar Lisboa e Porto fazendo paragem em duas ou três capelinhas? É que se assim for, parece-me a mim que irá ganhar uns meros vinte e cinco minutos ao Alfa Pendular - e, se assim for, será um investimento inútil do ponto de vista nacional.

Mais importante do que o TGV parece-me ser:

1) Optimizar os percursos do Alfa Pendular, para que possa ser de facto eficiente (coisa que não é no percurso Lisboa-Porto, pelo menos);

2) Apostar na ferrovia em todo o território nacional, levando o serviço Intercidades e Regional a mais sítios, com melhores horários, e promovendo o transbordo. Um exemplo: não há estação de comboios em Odemira, sendo Luzianes-Gare, a cerca de trinta quilómetros, a estação que, supostamente, serve a sede do maior concelho do país. Quem chegar a Luzianes-Gare no Regional - ou às Amoreiras, ou a Santa Clara-Sabóia - não tem como chegar a Odemira, porque os autocarros locais não estão sincronizados com o comboio. São estes detalhes que terão de mudar para tornar o interior mais viável.

john

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