A alta velocidade do progresso
O que, passe a expressão, salta à vista neste mapa tão "simplex" não é a maioria de os países do centro da Europa ter TGV (a Áustria não tem, para não mencionar a Polónia ou a República Checa). É na Escandinávia essa opção não ser equacionada. Como todos nós sabemos, os países escandinavos são um exemplo de atraso económico e social (três deles até são monarquias, vejam bem!). Tão atrasados, aliás, que no Índice de Desenvolvimento Humano de 2008, a Noruega está em terceiro lugar, a Suécia em sétimo, a Finlândia em décimo segundo e a Dinamarca em décimo terceiro. O que, a meu ver, indica algo muito simples: os povos escandinavos estão bem conscientes da sua posição geograficamente periférica - sim, a Escandinávia é também periférica, uma boa parte dela demasiado perto do Pólo Norte com uma realidade que não imaginamos, como, por exemplo, o "Sol da meia noite". E devido a essa posição periférica (e provavelmente também ao clima), a ferrovia de alta velocidade nunca conseguiria ser mais eficiente do que o transporte aéreo.
O mesmo se passa em Portugal. Com o preço dos vôos em queda (e a ascensão das companhias low cost), vai compensar o comboio de alta velocidade para "nos aproximar da Europa"? Nem de Madrid ou Barcelona, destinos próximos para os quais, com um pouco de antecipação, já se consegue viajar por cinquenta euros ou menos. O "TGV" vai conseguir competir com estes preços? Será mais rápido? Note-se que não questiono a linha de alta velocidade nos países do centro da Europa - aí, ela faz de facto sentido. Ou nos Estados Unidos, um país com dimensão de continente. Mas Portugal está na "ponta do corno", onde "Judas perdeu as botas". Para chegar de comboio ao "centro" da Europa temos de passar por Espanha e atravessar os Pirinéus. Torno a dizer: não me parece que venha a ser competitivo face ao transporte aéreo.
john
O mesmo se passa em Portugal. Com o preço dos vôos em queda (e a ascensão das companhias low cost), vai compensar o comboio de alta velocidade para "nos aproximar da Europa"? Nem de Madrid ou Barcelona, destinos próximos para os quais, com um pouco de antecipação, já se consegue viajar por cinquenta euros ou menos. O "TGV" vai conseguir competir com estes preços? Será mais rápido? Note-se que não questiono a linha de alta velocidade nos países do centro da Europa - aí, ela faz de facto sentido. Ou nos Estados Unidos, um país com dimensão de continente. Mas Portugal está na "ponta do corno", onde "Judas perdeu as botas". Para chegar de comboio ao "centro" da Europa temos de passar por Espanha e atravessar os Pirinéus. Torno a dizer: não me parece que venha a ser competitivo face ao transporte aéreo.
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