Exclamações, adjectivos e travessões III
O ponto de exclamação tende, salvo honrosas excepções, a ser conotado como um estandarte da oferta de emotividade barata, de um quase encobrir dos defeitos textuais com o berrar mais alto, acabando por adquirir uma importância mais gestual, como referiu o João Teago. Até compreendo esta campanha de abolição/aniquilação que prolifera na nossa estimada blogosfera, mas, ainda assim, julgo ser de bom tom indultar o desamparado sinal. Eu próprio também o tenho posto de lado inúmeras vezes desde que me lembro de rabiscar coisas: inicialmente por medo óbvio da etiquetagem de texto cheio de puberdade para maturar, ultimamente por considerar difícil a sua utilização (e ainda sem a maturação, acrescente-se). Recordo-me de um professor do ensino básico - também da classe incentivadora, john - que não hesitava na sua demonstração de amor pelo famigerado sinal de pontuação nos diálogos das composições que escrevíamos na turma. Dá mais a sensação de imagem, dos gestos e, portanto, enriquece a experiência do leitor, dizia. De facto, procurando em rabiscos antigos, constato que o utilizo, maioritariamente, nessas situações.
Continuando, o seu uso não me aborrece nem intimida. O que acontece, será, quanto muito, para mim e para aqueles que subscrevem o “movimento”, um receio de perder a racionalidade daquilo que desejamos transmitir, sendo que o uso do ponto de exclamação é caminho fácil para o descalabro, ou mesmo que isso não aconteça, pode ofuscar a atenção do leitor do cerne do assunto. Não sou a pessoa indicada para o dizer (nem barba decente ainda tenho), porém, penso que, no grosso dos textos da blogosfera e mesmo no campo literário, é uma luta entre a emotividade atirada à cara dificilmente levada a sério e a racionalidade apreciada. É, pois, um sinal de dolorosa e hesitante utilização. Uma vez contornadas essas adversidades, torna-se um utensílio riquíssimo – de elegância como referes, john. Ainda há tempos li os Contos da Montanha e, à luz deste tema, releio algumas passagens e verifico, sem demoras, que Miguel Torga era exímio na sua utilização: os tiques, os maneirismos, a sensação de vocalização de palavras mais rurais.
O ponto de exclamação deverá continuar no seu lugar perene, à espera de quem o queira – e saiba, isso convinha – utilizar.
Continuando, o seu uso não me aborrece nem intimida. O que acontece, será, quanto muito, para mim e para aqueles que subscrevem o “movimento”, um receio de perder a racionalidade daquilo que desejamos transmitir, sendo que o uso do ponto de exclamação é caminho fácil para o descalabro, ou mesmo que isso não aconteça, pode ofuscar a atenção do leitor do cerne do assunto. Não sou a pessoa indicada para o dizer (nem barba decente ainda tenho), porém, penso que, no grosso dos textos da blogosfera e mesmo no campo literário, é uma luta entre a emotividade atirada à cara dificilmente levada a sério e a racionalidade apreciada. É, pois, um sinal de dolorosa e hesitante utilização. Uma vez contornadas essas adversidades, torna-se um utensílio riquíssimo – de elegância como referes, john. Ainda há tempos li os Contos da Montanha e, à luz deste tema, releio algumas passagens e verifico, sem demoras, que Miguel Torga era exímio na sua utilização: os tiques, os maneirismos, a sensação de vocalização de palavras mais rurais.
O ponto de exclamação deverá continuar no seu lugar perene, à espera de quem o queira – e saiba, isso convinha – utilizar.
(espero ter enriquecido este diálogo intra-jardim com esta fugaz opinião; se isso não acontecer vou ficar por aqui na esperança de me esbofetearem, de forma benévola vá, o pensamento. Outra coisa não tenho recebido, ao longo de quase dois anos, neste albergue de micróbios)
fs









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