27.9.09

Em 2666 o PSD terá pelo menos um vereador na câmara municipal de Odemira.

Como era previsível, não houve Sintra ou caixotes, apenas uma valente dor de garganta, uns grauzinhos de febre e um torpor que só chamava por cama, e que fez com que eu relesse metade do livro The Northern Lights, the Philip Pullman, provavelmente o melhor livro de fantasia escrito desde The Lord of the Rings, mas que não gerou um décimo do fervor que um Harry Potter gerou - ou, para dar um exemplo mais actual, pois a senhora Rowling é tão 2007, de um 2666, que não sendo fantasia (acho eu), gerou fenómeno idêntico. É um facto que todo o furor em redor de 2666 apenas me faz lembrar o furor infantil que Harry Potter gerou, ou o furor adolescente que actualmente a saga Twilight gera - esta, porém, goza de melhor banda sonora, pois o filmezinho na calha - o segundo, que horror - conta com Muse, Thom Yorke (dos Radiohead, para quem não saiba) e The Killers - aquela banda que levou os velhinhos do Restelo ao rubro, para desgosto de João Bonifácio. Adiante. Não tenciono ler Twilight, naturalmente. Nem 2666, com hype ou sem hype. Quem me conhece, ou lê aqui esporadicamente, já percebeu que eu tenho horror a hypes e que, apesar de algumas incursões à literatura consensual, eu tenho a tendência de ficar por os mundos fantasiosos daquilo a que os americanos chamam de sf&f. Pode ser redutor, sim, mas fiquem descansados que não é isso que me impede de ir lendo um um Eça ou uma Ayn Rand, só para referir duas das minhas preferências que mais fogem ao núcleo fantástico, por mais pretensioso que isto possa ser (e é, vou já vergastar-me). O tempo é que não é nem pretensioso nem elástico, e por mais que a bloga da praxe preste vassalagem ao late Bolaño, eu lamento muito, mas prefiro dedicar-me à releitura do tijolão que são os três volumes de O Senhor dos Anéis (agora que consegui a edição original), ou avançar de uma vez para a leitura do Atlas Shrugged, livro que devia ter encomendado na Tema antes mesmo de ter acabo o Fountainhead. Como vêem, ainda tenho muitas coisas para resolver. Não fosse pela dor de garganta e até iria tratar disso tudo hoje, já que não fui à santa terrinha votar. Acho que já expliquei isso antes, pelo que vou apenas dizer que tenho mesmo muita pena de não ir votar, mas não se pode ter tudo, e a doutora Manuela Ferreira Leite terá de ganhar as legislativas sem o meu voto. O que é uma tristeza - estou profundamente convencido de que na minha aldeia há apenas quatro pessoas que votam PSD (ou antes, que não votam CDU ou PS; o Bloco ainda não descobriu o concelho de Odemira no mapa), e todas elas vivem em minha casa; com a minha ausência, só haverá três votos laranja naquela aldeia, o que é manifestamente pouco, e muito, muito triste. Enfim. Nas legislativas quebro a espinha e voto CDU para eleger o sheriff local, pois o Nuno é um moço simpático e aparentemente mais capaz do que o actual. Sonho com o dia em que o PSD - ou mesmo o CDS - se lembrem de que Odemira ainda é, geograficamente falando, o maior concelho do país, e que apresentem listas - à câmara municipal, e à minha freguesia, claro. Isto de perder a face esquerda de quatro em quatro anos é doloroso, e já vai sendo tempo de se roubar o Alentejo à esquerda, pois não só é (indiscutivelmente) a terra mais bela do país, como também merece melhor sorte.

john

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