Pergunta:
Aqui no Jardim fazemos "dia de reflexão"? Não é que esteja a pensar escrever alguma coisa, muito menos sobre política, já que devo andar demasiado atarefado entre livros, discos, caixotes e bolas de cotão (a minha vida é uma longa mudança de casa). Ou então mando isso tudo às urtigas e vou passar o dia a Sintra, que o tempo está bom e apetece comer travesseiros debaixo das árvores da Quinta da Regaleira (saudades), ou eventualmente subir ao castelo, já que nunca lá fui - não digo subir à Pena porque ouvi dizer que cobram um balúrdio para entrar no palácio, e só se pode ver meia-dúzia de salas, política cultural também aplicada nos Jerónimos e, imagino, em tantos outros sítios deste país, tão belos como mal aproveitados. Enfim. Mantém-se, nesta divagação, a pergunta sobre o dia de reflexão, pois conheço-me o suficiente para saber que é sempre possível eu acabar por não ir a Sintra nem encaixotar o meu quarto, pelo que dá jeito saber a política editorial cá do Jardim de Micróbios, mesmo para algo tão idiota como o dia de reflexão eleitoral.
Já agora, pergunto também se, aliviados que estarão os noticiários amanhã do lixo eleitoral, algum irá fazer menção ao espectacular assalto a um banco que teve lugar na Suécia, que, relembro, não só não fica muito longe daqui, como até - vejam lá - é um membro importante da União Europeia, apesar de, como as vizinhas Dinamarca e Finlândia, normalmente não dar muito nas vistas. Espertos são os noruegueses, que em dois referendos optaram por continuar a desconhecer o significado brincalhão do cherne. Na Noruega, cherne é cherne, apesar de eles preferirem bacalhau, salmão e baleia (dizem que é uma delícia, um bife de baleia). Bom gosto, portanto - em Portugal, cherne não é cherne, como todos sabemos, o que torna o cardápio de um restaurante num potencial guião do Contra-Informação. Adiante. Parece que vão ter um terceiro referendo, os noruegueses, para decidirem se vêm para a UE, a agremiação de estados cujo mais alto comissário iniciou a sua carreira política como funcionário de uma empresa de mudanças que, diz-se, tinha um bom negócio ali na zona da Cidade Universitária, apesar de as más-línguas dizerem que o senhor - na altura, "jovem" - roubava mobília da Faculdade de Direito. Gente que só diz mal dos outros, "bota-abaixista" (o neologismo leva hífen?), como diria o nosso primeiro-ministro. Sim, aquele que provavelmente, e para mal dos nossos pecados, irá considerar os trinta-e-tal por cento de votos com que vencerá as legislativas uma "grande vitória", quando nas anteriores conseguiu maioria absoluta. Dir-me-ão os entendidos da bola (o que exclui naturalmente o Rui Santos) que com Queiroz regressaram as vitórias morais (expressão curiosa), de tal forma que até no Governo elas já fazem escola. Isto tudo para dizer - ou talvez não - que espero que os noruegueses continuem a rejeitar a União Europeia, que Portugal não se qualifique para o Mundial (não precisamos de mais humilhações), e que o Partido Socialista não vença as eleições. E espero também que esta minha longa e secante divagação não deixe notar muito que a minha tarde está a ser aborrecidíssima. Tanto, aliás, que este post já foi editado inúmeras vezes. Alguém me pare, por favor, ou eu ainda acabo a rescrevê-lo de forma a que faça sentido, com tópicos e essas mariquices, e já conforme o Acordo Ortográfico - e, como é evidente, no dia em que eu escrever alguma coisa com sentido e de acordo com as regras daquele Acordo, podem sacar da pistola e abater-me, porque já não estarei de todo próprio para consumo.
john
Já agora, pergunto também se, aliviados que estarão os noticiários amanhã do lixo eleitoral, algum irá fazer menção ao espectacular assalto a um banco que teve lugar na Suécia, que, relembro, não só não fica muito longe daqui, como até - vejam lá - é um membro importante da União Europeia, apesar de, como as vizinhas Dinamarca e Finlândia, normalmente não dar muito nas vistas. Espertos são os noruegueses, que em dois referendos optaram por continuar a desconhecer o significado brincalhão do cherne. Na Noruega, cherne é cherne, apesar de eles preferirem bacalhau, salmão e baleia (dizem que é uma delícia, um bife de baleia). Bom gosto, portanto - em Portugal, cherne não é cherne, como todos sabemos, o que torna o cardápio de um restaurante num potencial guião do Contra-Informação. Adiante. Parece que vão ter um terceiro referendo, os noruegueses, para decidirem se vêm para a UE, a agremiação de estados cujo mais alto comissário iniciou a sua carreira política como funcionário de uma empresa de mudanças que, diz-se, tinha um bom negócio ali na zona da Cidade Universitária, apesar de as más-línguas dizerem que o senhor - na altura, "jovem" - roubava mobília da Faculdade de Direito. Gente que só diz mal dos outros, "bota-abaixista" (o neologismo leva hífen?), como diria o nosso primeiro-ministro. Sim, aquele que provavelmente, e para mal dos nossos pecados, irá considerar os trinta-e-tal por cento de votos com que vencerá as legislativas uma "grande vitória", quando nas anteriores conseguiu maioria absoluta. Dir-me-ão os entendidos da bola (o que exclui naturalmente o Rui Santos) que com Queiroz regressaram as vitórias morais (expressão curiosa), de tal forma que até no Governo elas já fazem escola. Isto tudo para dizer - ou talvez não - que espero que os noruegueses continuem a rejeitar a União Europeia, que Portugal não se qualifique para o Mundial (não precisamos de mais humilhações), e que o Partido Socialista não vença as eleições. E espero também que esta minha longa e secante divagação não deixe notar muito que a minha tarde está a ser aborrecidíssima. Tanto, aliás, que este post já foi editado inúmeras vezes. Alguém me pare, por favor, ou eu ainda acabo a rescrevê-lo de forma a que faça sentido, com tópicos e essas mariquices, e já conforme o Acordo Ortográfico - e, como é evidente, no dia em que eu escrever alguma coisa com sentido e de acordo com as regras daquele Acordo, podem sacar da pistola e abater-me, porque já não estarei de todo próprio para consumo.
john









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