25.9.09

Pergunta:

Aqui no Jardim fazemos "dia de reflexão"? Não é que esteja a pensar escrever alguma coisa, muito menos sobre política, já que devo andar demasiado atarefado entre livros, discos, caixotes e bolas de cotão (a minha vida é uma longa mudança de casa). Ou então mando isso tudo às urtigas e vou passar o dia a Sintra, que o tempo está bom e apetece comer travesseiros debaixo das árvores da Quinta da Regaleira (saudades), ou eventualmente subir ao castelo, já que nunca lá fui - não digo subir à Pena porque ouvi dizer que cobram um balúrdio para entrar no palácio, e só se pode ver meia-dúzia de salas, política cultural também aplicada nos Jerónimos e, imagino, em tantos outros sítios deste país, tão belos como mal aproveitados. Enfim. Mantém-se, nesta divagação, a pergunta sobre o dia de reflexão, pois conheço-me o suficiente para saber que é sempre possível eu acabar por não ir a Sintra nem encaixotar o meu quarto, pelo que dá jeito saber a política editorial cá do Jardim de Micróbios, mesmo para algo tão idiota como o dia de reflexão eleitoral.

Já agora, pergunto também se, aliviados que estarão os noticiários amanhã do lixo eleitoral, algum irá fazer menção ao espectacular assalto a um banco que teve lugar na Suécia, que, relembro, não só não fica muito longe daqui, como até - vejam lá - é um membro importante da União Europeia, apesar de, como as vizinhas Dinamarca e Finlândia, normalmente não dar muito nas vistas. Espertos são os noruegueses, que em dois referendos optaram por continuar a desconhecer o significado brincalhão do cherne. Na Noruega, cherne é cherne, apesar de eles preferirem bacalhau, salmão e baleia (dizem que é uma delícia, um bife de baleia). Bom gosto, portanto - em Portugal, cherne não é cherne, como todos sabemos, o que torna o cardápio de um restaurante num potencial guião do Contra-Informação. Adiante. Parece que vão ter um terceiro referendo, os noruegueses, para decidirem se vêm para a UE, a agremiação de estados cujo mais alto comissário iniciou a sua carreira política como funcionário de uma empresa de mudanças que, diz-se, tinha um bom negócio ali na zona da Cidade Universitária, apesar de as más-línguas dizerem que o senhor - na altura, "jovem" - roubava mobília da Faculdade de Direito. Gente que só diz mal dos outros, "bota-abaixista" (o neologismo leva hífen?), como diria o nosso primeiro-ministro. Sim, aquele que provavelmente, e para mal dos nossos pecados, irá considerar os trinta-e-tal por cento de votos com que vencerá as legislativas uma "grande vitória", quando nas anteriores conseguiu maioria absoluta. Dir-me-ão os entendidos da bola (o que exclui naturalmente o Rui Santos) que com Queiroz regressaram as vitórias morais (expressão curiosa), de tal forma que até no Governo elas já fazem escola. Isto tudo para dizer - ou talvez não - que espero que os noruegueses continuem a rejeitar a União Europeia, que Portugal não se qualifique para o Mundial (não precisamos de mais humilhações), e que o Partido Socialista não vença as eleições. E espero também que esta minha longa e secante divagação não deixe notar muito que a minha tarde está a ser aborrecidíssima. Tanto, aliás, que este post já foi editado inúmeras vezes. Alguém me pare, por favor, ou eu ainda acabo a rescrevê-lo de forma a que faça sentido, com tópicos e essas mariquices, e já conforme o Acordo Ortográfico - e, como é evidente, no dia em que eu escrever alguma coisa com sentido e de acordo com as regras daquele Acordo, podem sacar da pistola e abater-me, porque já não estarei de todo próprio para consumo.

john

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