Comercial
Ainda a propósito dos Muse, e a propósito desta crónica, torno a pensar nessa coisa que anda tão na boca de toda a gente: a chamada "música comercial". Só porque nunca percebi ao certo o que é "música comercial". Ou antes, perceber até percebo, mas acho o conceito demasiado estúpido para sequer ser um conceito, digamos assim. Opomos música "comercial" a música "alternativa", e quem ouve "alternativa" é cool, quem ouve música comercial é careta. Basicamente é isto, não é?
Cá para mim, é tudo uma questão de personalidade. Ou, em muitos casos, de falta dela. Quando uma banda é mais ou menos desconhecida, tem um núcleo de fãs pequeno mas fervoroso, que a tratam como a melhor coisa do mundo. Quando, a um dado momento, essa banda chega ao grande público e entra nas tabelas de vendas, enfim, passa a ter um "som" muito "comercial" e deixa de agradar. Já não é cool ouvi-la. Já ouvi isto tantas vezes, a propósito desta e daquela banda. E quando se ouve, percebe-se que continua a estar tudo lá, que o novo álbum é apenas a evolução dos anteriores (como é natural que aconteça numa banda). E que, de resto, não tem mal nenhum em se querer chegar a um público mais vasto, a música é um negócio e sem dinheirinho é que não se faz. De resto, o que há é muita vergonha.
Mas não acontece só na música. Há tempos, em conversa com uma amiga, ela pergunta-me o que estava eu a ler. Respondi-lhe, e devolvi-lhe a pergunta. Ela responde "só te digo se não gozares". Adivinhei na hora a resposta dela, mas fiz-me de mouco até ela dizer que estava a ler Twilight, aquela série de vampiros (muito esquisitos) da Stephenie Meyer que tem levado adolescentes ao delírio. Eu não gozo com quem lê o Twilight, como não gozo com quem lê José Rodrigues dos Santos, Margarida Rebelo Pinto ou Miguel Sousa Tavares. Em bom rigor: quero lá saber. Leiam o que quiserem. Só não compreendo porque tinha a minha amiga vergonha de ler Twilight.
Mas voltando a desta crónica, gostaria muito de saber o que afinal se queria dos Muse? É que dizer que "o alinhamento jogou com o presente e com o passado" equivale mais ou menos a dizer, sobre um jogo de futebol (recorrendo à metáfora do crítico), que o objectivo das equipas é marcarem golos. A menos, claro, que o crítico - e tão exigentes são os críticos, não são? - quisesse que os Muse tocassem, para além de músicas do "presente" e do "passado", músicas "do futuro". Eu sei que os rapazes são bons, e até têm uma música chamada Futurism e tudo, mas calma. Não exageremos. Mas eu percebo o drama do crítico. Estou até profundamente solidário. Fez-me lembrar o João Bonifácio naquela já lendária crítica ao Super Bock Super Rock e aos The Killers: não gosta nada da banda no concerto, mas eles dão um espectáculo do caralho e dizer mal torna-se difícil até para os mais experientes. Continue a tentar, amigo Davide, que há-de lá chegar.
john
Cá para mim, é tudo uma questão de personalidade. Ou, em muitos casos, de falta dela. Quando uma banda é mais ou menos desconhecida, tem um núcleo de fãs pequeno mas fervoroso, que a tratam como a melhor coisa do mundo. Quando, a um dado momento, essa banda chega ao grande público e entra nas tabelas de vendas, enfim, passa a ter um "som" muito "comercial" e deixa de agradar. Já não é cool ouvi-la. Já ouvi isto tantas vezes, a propósito desta e daquela banda. E quando se ouve, percebe-se que continua a estar tudo lá, que o novo álbum é apenas a evolução dos anteriores (como é natural que aconteça numa banda). E que, de resto, não tem mal nenhum em se querer chegar a um público mais vasto, a música é um negócio e sem dinheirinho é que não se faz. De resto, o que há é muita vergonha.
Mas não acontece só na música. Há tempos, em conversa com uma amiga, ela pergunta-me o que estava eu a ler. Respondi-lhe, e devolvi-lhe a pergunta. Ela responde "só te digo se não gozares". Adivinhei na hora a resposta dela, mas fiz-me de mouco até ela dizer que estava a ler Twilight, aquela série de vampiros (muito esquisitos) da Stephenie Meyer que tem levado adolescentes ao delírio. Eu não gozo com quem lê o Twilight, como não gozo com quem lê José Rodrigues dos Santos, Margarida Rebelo Pinto ou Miguel Sousa Tavares. Em bom rigor: quero lá saber. Leiam o que quiserem. Só não compreendo porque tinha a minha amiga vergonha de ler Twilight.
Mas voltando a desta crónica, gostaria muito de saber o que afinal se queria dos Muse? É que dizer que "o alinhamento jogou com o presente e com o passado" equivale mais ou menos a dizer, sobre um jogo de futebol (recorrendo à metáfora do crítico), que o objectivo das equipas é marcarem golos. A menos, claro, que o crítico - e tão exigentes são os críticos, não são? - quisesse que os Muse tocassem, para além de músicas do "presente" e do "passado", músicas "do futuro". Eu sei que os rapazes são bons, e até têm uma música chamada Futurism e tudo, mas calma. Não exageremos. Mas eu percebo o drama do crítico. Estou até profundamente solidário. Fez-me lembrar o João Bonifácio naquela já lendária crítica ao Super Bock Super Rock e aos The Killers: não gosta nada da banda no concerto, mas eles dão um espectáculo do caralho e dizer mal torna-se difícil até para os mais experientes. Continue a tentar, amigo Davide, que há-de lá chegar.
john









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