17.12.09

E lá vamos, cantando e rindo

Ouço por aí que, a seguir à cantiga do casamento gay, o Rancho Folclórico de São Bento vai tocar e dançar a moda "Regionalização", um hit de 1998. Ouço também dizer que a nova versão daquela moda quer dividir o país em cinco partes, e eu não sei quais são - alguém me diz? Se adivinhasse, diria que o Algarve contará como uma região. Os "Alentejos" fundir-se-ão num só Grande Alentejo com "capital" em Évora. Provavelmente fundem-se as Beiras também, e faz-se a região Beirã, entre o Tejo e o Douro (será?). A zona a Norte do Douro tornar-se-á numa só grande Região Norte com sede no Porto (claro). E sobra Lesboa e o "vale do Tejo", que dependendo da vontade do senhor do bombo, perdão, do primeiro-ministro, tanto pode ir de Lisboa a Santarém como de Lisboa a Vila Velha de Ródão.

A regionalização num país como o nosso faz-me alguma confusão, confesso. Portugal não é afinal, um país particularmente heterogéneo. Falamos todos a mesma língua, uns com um sotaque e outros com outro, mas entendemo-nos todos muito bem. No geral, temos todos uma mesma matriz cultural e religiosa, quer pratiquemos efectivamente uma religião ou não. E o país nem sequer é muito grande. A ideia até poderia ser boa se as regiões se tornassem efectivamente autónomas. Mas não adiante alimentar muitas ilusões: estamos em Portugal. Ninguém no seu perfeito juízo deverá acreditar que a mama de Lesboa vai secar.

Mas não nos iludamos. O país já se encontra "regionalizado". Em duas grandes regiões: Lisboa, e o Resto. E assim há-de continuar, com mais ou menos regionalização. Haja pachorra e areia para atirar aos olhos dos portugueses.

john

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