8.3.10

Óscares

Este ano não vi os Óscares. Consta que a cerimónia já não é o que era. Isso eu não sei, pois a única vez que vi foi no ano passado (e realmente não foi nada de especial, a coisa fazia-me melhor - e mais em conta - com a Marisa Cruz a dizer os nomeados entre duas bolas do Euromilhões). Os Óscares, pessoalmente, são uma daquelas coisas com as quais tenho uma relação difícil. Reconheço-lhes a importância (ou talvez o mediatismo), mas acho a coisa demasiado "vendida" a alguns lobbies (já lá vamos).

Começando pelo início: Avatar (e James Cameron) foi o grande derrotado da noite. O James Cameron já deu ao mundo em geral e ao género de ficção científica em particular Aliens e os dois Terminator que contam, pelo que, apesar da estopada que foi Titanic, não irei dizer mal do senhor. Não acho, pessoalmente, que Avatar fosse filme para levar a estatueta: o que lhe sobra em inovação falta-lhe em densidade, apesar de não considerar o caso tão sério como muito boa gente que conheço; e, como toda a gente sabe, a ficção científica não ganha os Óscares mais importantes, apesar de ter nas suas fileiras alguns dos melhores filmes jamais feitos (2001, Blade Runner, Star Wars). Na falta do meu grande favorito - Gran Torino, de Eastwood, uma omissão inadmissível da parte da "academia" - estava a contar que este fosse o ano de Tarantino, mas não foi. Aliás, começo a duvidar que o realizador de Reservoir Dogs, Pulp Fiction, Kill Bill e Inglourious Basterds venha algum dia a ganhar o Óscar de melhor realizador, ou um dos seus filmes a levar a estatueta de melhor filme. Enfim, vou ter de ir ver o The Hurt Locker, para ver se o filme vale mesmo os prémios (não duvido que seja bom). Para já, o prémio parece-me muito "politicamente correcto": de um ápice, deu-se o Óscar de melhor filme a uma película de baixo orçamento (sobretudo se comparada com o grande favorito ao prémio), realizado por uma mulher (o prémio nunca tinha sido dado a uma mulher). Espero que não tenha sido por isto, as politicazinhas de sempre, as mesmas que, por exemplo, deram no ano passado o óscar a Sean Penn, que apesar do seu grande desempenho em Milk, não o merecia: o grande desempenho do ano passado foi o de Mickey Rourke em The Wrestler. Claro que entre um wrestler e um activista gay...

Enfim, o Cristoph Waltz ganhou o Óscar de Melhor Actor Secundário. Bem vistas as coisas, este era mesmo o único prémio que me interessava.

john

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