15.4.10

O cidadão

Hoje voltei à Loja do Cidadão.

A contragosto, entenda-se; a Loja do Cidadão não tem como propósito "simplificar" (palavra tão na moda), ou facilitar a vida ao "cidadão". Qualquer que seja o seu objectivo, a única coisa que consegue é torturar (meço bem a expressão) os "utentes" (outra expressão na moda). Não falo dos balcões da EDP ou da companhia do gás (esses, pela minha experiência, funcionam bem), mas sim dos serviços públicos: Finanças (ou lá como se designa) e Segurança Social (nunca experimentei os da "Justiça"). Como se, durante a formação, os funcionários do atendimento daqueles lugares fossem instruídos, com especial atenção, para:

1) não sorrirem (jamais, em circunstância alguma);
2) não serem simpáticos;
3) manterem um ar de enfado permanente, como se nos estivessem a fazer um tremendo favor, e como se não fossem pagos (por todos nós, já agora) para aquilo;
4) não serem claros nos esclarecimentos que lhes pedimos;
5) terem a frase "é consultar a legislação" na ponta da língua, pronta a disparar.

Hoje, cheguei à Loja do Cidadão às dez e um quarto da manhã. Tirei a senha número 111; a fila, num balcão de atendimento que abre (ou devia abrir) às oito e meia, ia na senha 31. Guardei a senha e fui para o trabalho. Saí na hora de almoço, cheguei aos Restauradores à uma: a fila ia no 109, e tive de esperar apenas dez minutos. A pessoa que me atendeu passou pelas cinco etapas acima descritas. Como de costume, saí da loja igualmente confuso, e com uma vaga vontade de demolir o local. Enfim. Cheira-me que daqui a dias tenho de lá voltar; e ainda que não tenha, em finais de Maio terei por mim de me render às evidências: o meu BI expira, e tenho de fazer o maldito "Cartão do Cidadão". Dizem-me que esse processo também é um valente pincel. Deve ser boa ideia começar já a juntar paciência.

john

5 Comments:

Blogger Sophia said...

Sabes o que costumo fazer? (juro)

Cara de má. Faço cara de má e pergunto, distraidamente, se têm livro de reclamações.



Ou então uso decote mas isso acho que não serve para ti :P

6:11 PM  
Blogger Miss Kin said...

Gosto especialmente de ir à Segurança Social, se falares com pessoas diferentes, dizem-te, sobre o mesmo assunto, coisas diferente. É uma alegria!

6:57 PM  
Blogger João Campos said...

Eu não peço o livro de reclamações, Margarida, porque receio levar um banho de burocracia, em "português técnico-jurídico" (aquele com tantas vírgulas que à terceira oração já perdeu o sentido), que me deixe atordoado. Mais vale fugir.

Miss Kin, isso já me aconteceu. Há dois anos, foi preciso chegar ao quinto (5º) funcionário das Finanças para perceber as regras dos recibos verdes, que antes cada macaco me dizia uma coisa diferente.

11:13 AM  
Anonymous Anonymous said...

LOL. Tens azar. Ou melhor, eu é que devo ter sorte. As vezes que tenho ido à loja do cidadão apanho sempre pessoas com sentido de humor e ainda ficamos a gozar com a situação à nossa volta. E as histórias hilariantes que oiço fazem com que o tempo de espera seja mais tolerável. Enfim, tenho tido sorte, acho que sim. Quanto ao cartão do cidadão, aconselho-te a ires à Afonso Costa e chega lá quando aquilo tiver quase a fechar, costuma resultar ;)

*

6:22 PM  
Blogger João Campos said...

"Costuma resultar"? Mas quantos cartões do cidadão fizeste tu, rapariga? :p

4:47 PM  

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