29.7.10

A evolução

Este post certeiro do Tiago Cavaco (o de 27 de Julho, que pelos vistos o blogue já não permite o link a posts; entretanto, aguardo pela crítica completa ao álbum) fez-me pensar num tema já antigo. Em conversas com algumas pessoas, e após leitura atenta de fóruns onde se encontra muito mais joio do que trigo (como os desta revista), fico com a sensação de que muitas vezes os auto-proclamados "fãs" (palavra horrível) de uma banda preferem que ela se mantenha igual a si mesma, a fazer exactamente a mesma coisa álbum após álbum, a vê-la evoluir em algum sentido. Os Muse, reflexo perfeito daquela ideia pseudo-alternativa de "muita gente ouve por isso já não gosto", são disto um óptimo exemplo: se ouvirmos os álbuns cronologicamente, do Showbiz ao Resistance, notamos que eles evoluíram, que cresceram como banda. É verdade que (para mim) atingiram o pico com Absolution, e não menos verdade é que nem toda a gente tem de gostar da evolução (por acaso gostei muito do último álbum). Mas se eles continuassem a produzir, a cada dois anos, um Origin of Symmetry, tornava-se aborrecido. Uma banda tem de evoluir, tem de arriscar. Se os Radiohead tivessem permanecidos agarrados à sonoridade (extraordinária) de um The Bends ou de um OK Computer, teriam sido irrelevantes nesta década; ao invés, mudaram radicalmente de rumo, produziram "o" álbum da década - Kid A, para os distraídos - e, pasme-se, não perderam a sua identidade. Muito pelo contrário: reafirmaram essa mesma identidade, sendo capazes de a renovarem a cada álbum. É verdade que, como disse há dias em conversa com o nosso João, estranhei a primeira vez que ouvi The Suburbs. Havia ali qualquer coisa diferente. Qualquer coisa que foi crescendo a cada vez que o álbum passava inteirinho no meu leitor de mp3. Talvez não tenha nenhuma música imponente como a Wake Up ou tocante como a In the Backseat; talvez nenhuma música do álbum me venha a dizer tanto como a No Cars Go; talvez - e esta é a única crítica negativa que faço ao álbum - lhe falte uma presença mais constante da voz da Régine (de que gosto muito); mas nota-se que os Arcade Fire evoluíram, que arriscaram, que não ficaram presos à sonoridade que deixou meio mundo de boca aberta com Funeral (eu muito atrasado, claro), e que procuraram inovar sem se perder - ouve-se a Empty Room, a Sprawl II (Mountains Beyond Mountains), a Month of May e mesmo o single de abertura, The Suburbs, e percebe-se isso mesmo. O álbum tem músicas suficientemente poderosas para agarrarem quem ouve - mesmo quem, como eu, estranha à primeira (e, enfim, se apaixona à segunda). Globalmente, impressiona-me mais que Neon Bible. Ao vivo - aguardamos Novembro para a prova dos nove -, deve ser extraordinário.

john

Adenda: gostava muito era de ser capaz de escrever críticas assim.

1 Comments:

Anonymous João André said...

Caro João/john, deixo de oferta o link directo para o post do Tiago:

http://vozdodeserto.blogspot.com/2010_07_01_archive.html#1176183843170789791

7:32 AM  

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